O Significado Da Palavra Casal

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Não é raro o dia em que encontre pela internet alguém a comentar ou a escrever sobre a (sua) definição (preconceituosa) da palavra casal. Geralmente resume-se à simplista “um casal é um homem e uma mulher, o resto são pares“, sendo que o resto, obviamente, são os casais de pessoas do mesmo sexo.

Eis alguns exemplos:

casal preconceito

casal homem mulher

Há até quem, escondido pelas iniciais JMPG, se dê ao trabalho de escrever uma carta aberta ao DNotícias que diz o seguinte:

Não existe história maior que a nossa, desde o aparecimento do homem e da mulher. Originalmente um casal se refere a um macho e uma fêmea. Nunca foi nem nunca será, um casal de machos ou casal de fêmeas! O verdadeiro “casal” Homem e Mulher têm sexos diferentes, com o propósito de procriar enquanto esses do mesmo sexo chamados “casais homossexuais “são para recrear, passar o tempo anormalmente.

O JMPG claramente não tem estado atento à sua volta, então não é que estão documentados casais de pessoas do mesmo sexo desde há vários milénios? O JMPG não sabe que não são os casais que são homossexuais? Quem são homossexuais são as pessoas! O casais, de resto, são iguais entre si. Pergunto igualmente ao JMPG se um casal de pessoas de sexo diferente não puder ou não desejar ter filhos se é menos casal por isso?

Não entendo como pessoas com tanta instrução, cultura etc.. não sabem distinguir o que é “um casal”. Até parece impossível! Aplicam sempre o termo, um “casal” homossexual.

Talvez o JMPG não tenha sequer feito o esforço de pegar num dicionário ou fazer uma simples e rápida pesquisa online, mas eu ajudo-o com a definição da palavra casal (e sem aspas):

ca·sal
(latim casalis, -e, relativo à quinta, à casa)

substantivo masculino

1. Par formado por macho e fêmea.

2. Par formado pelos cônjuges.

3. Conjunto de duas pessoas que têm uma relação sentimental e/ou sexual.

4. Propriedade rústica menos importante que a quinta.

5. Pequena povoação. = LUGAREJO

6. Conjunto formado por duas coisas iguais ou semelhantes. = PAR

Como pode ver o JMPG, casal é aplicável a duas pessoas do mesmo sexo, tal como par é aplicável a duas pessoas de sexo diferente. Muito simples e, como pode ver, não requer instrução especial.

Isto será mais uma mudança do A.O!? Não admira nada! Do modo que este mundo está, estou a ver que qualquer dia até o homem vai parir. O que não consigo entender é a quem a criança vai chamar de mamã.

Então, caro JMPG, a criança se tiver duas mães irá chamar de mamãs a ambas ou da forma como bem entenderem entre si. Igual se a criança tiver dois pais. Se a criança não tiver mãe ou pai, não irá chamar de mamã ou papá a ninguém, mas não é isso impeditivo de ser uma criança feliz e amada. São, sim, palavras como as suas que minoram estas famílias, sejam elas de que natureza forem.

É verdade que cada pessoa tem o livre-arbítrio, pode sentir atracção por quem quiser que ninguém tem nada com isso.

Exacto, por isso é que o JMPG fez questão de enviar uma carta aberta a um jornal onde claramente discrimina e onde julga, também claramente, ter algo com isso.

O que não se pode nem se deve confundir é dois homens juntos ou duas mulheres juntas como sendo um casal, tornando-os iguais com o verdadeiro casal “Homem e Mulher” juntos. Estou a ver que vamos ter de voltar novamente à cartilha.

E pergunto-lhe: por que não? Por que não se poderá assumir que dois homens ou duas mulheres, estando juntos de livre vontade numa relação sentimental e/ou sexual, são um casal? O que difere, em termos de responsabilidades, de respeitos mútuos e perante a lei, um casal de pessoas de sexo diferente de um outro do mesmo sexo? Tudo isto não passam de argumentos discriminatórios e, em particular, homofóbicos, carregados de preconceito e fobias irracionais.

Não é ao aceitarmos um casal de pessoas do mesmo sexo que desprezamos um outro de pessoas de sexo diferente, antes pelo contrário, porque é ao compreender a génese da ligação entre duas pessoas, independentemente da sua orientação sexual (ou raça, ou género, ou estatuto…), que entendemos e aceitamos e abraçamos o que é ser um casal em toda a sua plenitude e em todo o seu direito. Mas isso, claro está, não vem em dicionários.

Fontes: DNotícias e Priberam (1 e 2).


A processar… ⏱
Sucesso! 🌈

9 comments

  1. Isso se vê amplamente no Brasil também. A cada dia que passa, a pequena e significativa conquista feitas pela comunidade LGBTS vai sendo diminuída, restringida e aniquilada pela “maneira que penso” da grande massa retrógrada e de mente fechada.

    Ainda assim, espero pelo dia em que os casais homossexuais possam andar livremente pelas ruas sem temer ou esconder o amor que sentem.

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  2. Eu acho que esta linha ideologica de pensamento nao condiz com o verdadeiro sentido da palavra “casal”
    Quando falamos de casais,senpre entra em questao a gêneros masculinos e femininos.E isso nao tem nada a ver com o sentido da palavra e nao significado de gênero da palavra.

    Por isso que sempre há controversa de opinioes a respeito.
    Bom,,,quando duas partes de qualquer coisa se encaixa de maneira perfeita na outra,isso “casa” uma na outra e se tornam uma peça só.
    É isso o sentido da palavra casamento.

    Em relaçao a gêneros referente a casamento,,vamos para o princípio da história da humanidade criada por DEUS o unico soberano de toda a existencia com evidencias relatadas e comprovadas atravéz da historia da criacao por onde quer que seja a tese.
    Quando Deus disse que um homem (masculino) e uma mulher (feminino) se casem e se multipliquem ele está colocando a unica possibilidade de junçao para um casamento entre duas pessoas…!
    Entao no sentido de DEUS,casamento é masculino e feminino e nao gêneros iguais masc com masc e feminino com feminino…
    E quando falamos de pares,isso sim é junçao de duas coisa tanto iguais como diferentes,que na soma sao dois,,,um mais um e isso é par.

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  3. Cadasal de filhos “menino e menina”acasalar “formar par para procriação” casal em latim “duobus”dois diferentes ,casamento “casamentu”matrimonium “homem e mulher construindo juntos…

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  4. Além disso “casa” significava “moradia pobre” e em uma certa epoca so rico se casava ,em mansoes e palacetes ,nada a ver com quinta casa ,casal vem de acasalar “formar par para perpetração”

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  5. A união civil ou o casamento de pessoas do mesmo sexo é matéria relevante nos dias atuais em diversos países do mundo, em particular no Brasil que, através do Supremo Tribunal Federal decidiu no mês de maio de 2011 e por unanimidade o reconhecimento da união estável entre homossexuais.

    Não é propósito deste sucinto trabalho sequer comentar o mérito: seu desiderato é fazer uma breve análise léxica gramatical do termo casamento para se concluir sobre a possibilidade linguística de existir a expressão “casamento homossexual”.

    O casamento – como fato social – é constatado desde o início da habitação do gênero humano sobre a face do planeta terra, o que equivale afirmar que não se trata de mera expressão cultural e sim de um dos pressupostos institucionais da raça adâmica ou humana.

    Não obstante o fato de ser impossível identificar a língua mater, ou língua original da espécie humana conforme se afirma na seara da Lingüística contemporânea – o aramaico é uma das línguas mais antigas que se tem notícia e, de forma específica, exerceu influência para o desenvolvimento das línguas indo-europeias, em particular o hebraico, o grego e o latim em cujas culturas se releva o casamento que, apesar das inevitáveis contextualizações históricas, mantém os mesmos princípios nesta contemporaneidade ocidental.

    Considerando o início da civilização humana a partir da Mesopotâmia, mais precisamente na região atual do Golfo Pérsico – seja pelas evidências arqueológicas, históricas e científicas; seja pelo relato das escrituras aramaica, hebraica, grega e latina – o significado léxico gramatical do termo casamento deve ser estudado a partir dessa origem linguística.

    A Enciclopédia Eletrônica Wikipédia1, com base em estudos científicos pertinentes, informa que há uma origem comum para as línguas indo-europeias classificas em dez grupos dos quais se destacam para o propósito deste breve artigo as línguas helênicas com registros fragmentários no grego micênico do fim do século XV a.C. até o início do seguinte; as tradições homéricas (grego homérico) que datam do século VIII a.C.; e as línguas itálicas: que inclui o latim e seus descendentes (línguas românicas ou latinas), atestadas desde o século VII a.C.

    Desta forma, uma breve análise do significado e da etimologia do termo casamento a partir dessas línguas é suficiente para se deduzir a sua relevância como fato social humano – e não apenas cultural, ou seja, é fenômeno supra cultural ou instintivo e deenealógico (neologismo que pretende significar “inerente ao ser desde a sua origem).

    Iniciando pela língua hebraica o termo “k´lulâ” significa noivado, promessa de noivado; e o termo “kallâ” significa nora, esposa, noiva – ambas derivadas da raiz de kll.

    Esta palavra denota os relacionamentos bem definidos da mulher que está comprometida com alguém ou com o filho de alguém. Pode referir-se a uma noiva ou a uma mulher casada há bastante tempo […].

    Esse noivado expresso na língua hebraica tem como propósito essencial a união de uma fêmea com um macho sob o pacto de fidelidade recíproca e vitalícia para a formação de uma instituição familiar cuja evidência principal – mas não exclusiva – é a geração de filhos.

    A palavra grega para matrimônio ou casamento é “gamos” () cujo significado semântico é “vincular; unir” e ainda “um matrimônio ou festa de casamento3” no qual convivem um homem e uma mulher.

    Nessa linha semântica – desde o aramaico antigo até a linguística portuguesa hodierna, em particular a língua falada no Brasil – lista-se abaixo alguns termos relacionados ao casamento cuja origem é o grego e o latim; in verbis:

    Adultério – [do latim adulteriu] 1. Infidelidade conjugal; prevaricação. 2. Fig. União destoante, aberrante. 3. Adulteração.

    Conjugal – [do latim conjugale] Adj. Relativo ou pertencente a cônjuges, ou ao casamento.

    Cônjuge – [do latim conjuge] s.m. Cada uma das pessoas ligadas pelo casamento em relação à outra.

    Casamento – [do latim medieval casamentu] 1. Ato solene de união entre duas pessoas de sexo diferente, capazes e habilitadas, com legitimação religiosa e/ou civil.

    Esposa – [do latim sponsa] s.f. 1. Mulher que está prometida para o casamento; noiva. 2. Mulher (em relação ao marido).

    Esposo – [do latim sponsu] s.m. 1. O que prometeu casar ou que está para casar; noivo. 2. Marido.

    Marido – [do latim maritu] s.m. Homem casado em relação à mulher a quem se uniu; cônjuge do sexo masculino. [fem. mulher]. 3

    Matrimônio – [do latim matrimoniu] s.m. 1. União legítima de homem com mulher; casamento.

    Poliandria – s.f. 1. Matrimônio da mulher com diversos homens. 2. Regime que se observa nas sociedades matrilineares e no qual diversos homens em geral irmãos ou primos, participam da posse de uma mulher.

    Poligamia – [do grego polygamía latim polygamia] s.f. 1. Matrimônio de um com muitos. 2. Estado de polígamo.

    Polígamo – [do grego polygamos] Adj. 1. Que tem mais de um cônjuge ao mesmo tempo. 2. Diz-se de certos animais dos quais os machos tem muitas fêmeas

    Releva-se o fato de o termo casamento, de per si, implicar de forma inequívoca a união de duas pessoas de sexo oposto – macho e fêmea – e não admitir o vínculo com um terceiro sem o consentimento dos cônjuges e da cultura e, mesmo quando isto ocorre, imperam as regras da poligamia.

    Neste sentido e a exemplo do termo “dupla” que, de forma incontestável somente admite a tradução “dois elementos” ou “um par” e vice versa, o casamento SOMENTE comporta a tradução, e via de fato, a união conjugal de um homem com uma mulher; se é união conjugal, por imperativo das regras léxico gramaticais desde a antiguidade, somente o é entre macho e fêmea.

    Em outras palavras, resta plenamente insubsistente a possibilidade léxica, gramatical e histórica de existir um casamento que não seja de um macho com uma fêmea, seja na Natureza, seja nas sociedades humanas.

    Por conclusão, a união de pessoas do mesmo sexo é plenamente possível sob os ditames subjetivos (escolhas pessoais) e objetivos (doutrina, legislação e jurisprudência); porém não ainda sob a expressão “casamento homossexual” visto que, até a presente data, o “conteúdo e a forma” do termo casamento se mantém inalterados desde a antiguidade – ou seja: independente da “linguística” o que determina o conceito é o seu uso contemporâneo!

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  6. Ninguém esta certo, a palavra casal para pessoas do mesmo sexo só soa perfeitamente no que é politicamente correto (ideologia). Já que casal desde os primórdios da dicção dessa palavra se referia a junção dos sexos, masculino e feminino, desde que acasalar, significa reunir em pares; emparelhar, juntar(-se) em casal. Acasalar, tanto no meio animal quanto humano refere-se ao macho e fêmea que por sua vez gera sempre mais um. Pessoas do mesmo sexo não se reproduzem, portanto o termo “casal” não se aplica. Quer dar o ** ou chupar a *****, foda-se, isso é escolha de cada um, ninguém deixa de ser humano por isso. Agora querer empurrar goela a baixo de que um HXH ou MXM é um casal, “plenamente possível sob os ditames subjetivos (escolhas pessoais) e objetivos (doutrina, legislação e jurisprudência)”, é coisa de COMUNISTA.

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