Indochine: “College Boy”, Crucificação Contra A Homofobia

Indochine, uma das bandas mais populares francesas, lançaram em 2013 o single College Boy, do álbum Black City Parade, e o respectivo vídeo promocional gerou muita polémica. Apesar da universalidade patente no vídeo, a luta contra a discriminação e, no exemplo deste vídeo, a homofobia, sempre esteve presente na obra da banda parisiense. A escolha do canadiano Xavier Dolan, jovem realizador assumidamente homossexual e que tem recolhido inúmeros prémios pelos seus filmes que tendem a abordar a sexualidade e a orientação das suas personagens, não foi ao acaso.

No vídeo um jovem estudante, protagonizado pelo actor-fetiche de Dolan e protagonista da sua última longa-metragem Mommy, Antoine Olivier Pilon, sofre insultos e provocações de alguns dos seus colegas de turma pelo simples facto de ser diferente, num caso transversal de bullying. As agressões vão-se intensificando e os restantes colegas e professores, que inicialmente aparentam apoiar o jovem estudante nos seus sucessos, vêem os seus olhos vendados à violência que o protagonista sofre.

O culminar do vídeo passa pela cena da crucificação do estudante, completamente derrotado e massacrado, enquanto os seus colegas e amigos assistem vendados. Quando a polícia, símbolo da justiça, finalmente chega, os autores do crime conseguem confundi-la fazendo-a disparar contra o já debilitado estudante na cruz. A equiparação dos agressores aos que deixam que os mesmos actuem incólumes é cruel mas portentora de uma verdade acutilante que espelha a indiferença de muita da sociedade com as injustiças para com os mais básicos direitos humanos. Um deles passa por deixar as crianças e adolescentes crescerem para serem as pessoas que têm que ser, sem pressões nem discriminação.

A última palavra do estudante crucificado, já sem música, deixa uma mensagem, talvez ambígua, no ar. Mas para isso deixamos que vejam o vídeo, com um aviso especial dada a violência das imagens:

Nota: Obrigado ao Paulo pela dica e ao Nuno pela edição 🙂

Por Pedro Carreira

Ativista pelos Direitos Humanos na ILGA Portugal e na esQrever. Opinião expressa a título individual. Instagram/Twitter/TikTok: @pedrojdoc

8 comentários

  1. Eu já tinha visto o vídeo e fiquei chocada, confesso, mas, infelizmente, muita da violência aqui demonstrada acontece na realidade. E a realidade é bem pior que um simples vídeo. Acho bem que despertem as pessoas para o que se passa. O meu medo é que este tipo de imagens se banalize de tal forma que as pessoas comecem a achar natural tal acontecer. (e há pessoas que acham mesmo)

    1. Pedro Carreira – Portugal – Ativista pelos Direitos Humanos na ILGA Portugal e na esQrever. Opinião expressa a título individual. Instagram/Twitter/TikTok: @pedrojdoc
      pedro_jose diz:

      Sim, há o perigo da banalização da violência, mas creio que neste caso ela é pujante, dá a volta ao estômago e a mensagem é, assim, explicitada. Não podemos tornar nisto numa coisa “que acontece” e encolher os ombros. Há que reagir! =)

Deixa uma resposta Cancel reply

Exit mobile version
%%footer%%