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“Aqui Não Há Panilas!” (pensamento)

Aqui não há panilas!”, ouvi eu ontem da boca daquela rapariga. Num grupo de pessoas que, embora façam parte do dia-a-dia, não me são propriamente próximas, nada disse. Não será a primeira nem a última vez que o silêncio será a única solução num determinado local e circunstância. Na realidade não havia, efectivamente, forma de responder de forma justa àquela afirmação, porque aquela não era, logo à partida, uma afirmação justa. Ou verdadeira. Se por “panilas” ela queria dizer homem ‘efeminado’ ou homossexual, então, sim, ela está decididamente errada. Num local de desporto em que estão largas dezenas de pessoas, não me pareceria estranho que algumas delas, para além de mim, o fossem. Mas, como disse, não liguei, uma pessoa habitua-se a isto. Bem ou mal, mas a verdade é que nos habituamos a nada dizer mais vezes do que aquelas que queremos admitir. E, sim, aqueles que, mais que presenças num dia-a-dia, se tornaram próximos de mim, ficaram a saber o que sou. Eventualmente. Mas aquela rapariga, no entanto, exclamou a dita frase com uma certeza tão absoluta como a sua própria ignorância. E digo isto porque nunca a induzi em erro, nunca mencionei ‘namoradas’ só para criar uma imagem que não a minha, mesmo que em troca recebesse uma vaga e ilusória segurança, uma aceitação fácil. Mas não, nunca mencionei tal coisa. Aliás, várias vezes foi o Nuno ver competições minhas. E todos o viram. E alguns, tenho a certeza, compreenderam. Alguns, suspeito, até me testaram na altura, para ver como eu reagia -se na defensiva, se em negação – mas como não receberam qualquer nervosismo meu quanto a questões vagas, num ápice esqueceram o tema e continuaram outras conversas. E, no entanto, aquela rapariga pareceu-me não ter qualquer dúvida que não havia qualquer hipótese de ali haver “panilas”. Qual a sua motivação? Qual a sua ideia do mundo? Qual a sua presunção? São perguntas que terão respostas se um dia ela se der ao trabalho de ver para além do seu mundo. E ver o quão vasto ele pode ser. Basta querer ver.

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5 Comments »

  1. Há duas vertentes no comentário “Aqui não há panilas”: primeira, a assunção, pela parte feminina (trata-se de uma rapariga), da atitude masculina; segunda, a universalização da “normalidade” sexual, um estreitamento perverso que a evolução histórica humana tornou necessário (na nossa época tem-se vindo a tornar menos necessário). Nota afim: observo às vezes grupos de rapazes, em que um deles (tipo macho-alfa) fala para os outros como se todos tivessem obviamente as mesmas apetências e potências sexuais: pura ilusão decorrente da ignorância dos mecanismos do desejo.
    A.S.

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