Prefiro Hétero: de pai para filho

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No outro dia deparei-me com um artigo de Ricardo Graça que, num estilo humorístico, debatia-se sobre a expectativa que pais e mães têm sobre os seus filhos e filhas. Nomeadamente sobre a sua orientação sexual, confessando que “é no amor que lhes tenho e que lhes quero dar até ao fim dos dias. Mas, se puder, que não posso, escolher, prefiro que sejam heterossexuais”. Pergunto, é esta uma posição defensável?

Gosto de pensar que não sou preconceituoso”, continua, “mas o mundo está longe de ser perfeito”. O que está a falhar nesta abordagem é que o mundo é também aquilo que fazemos dele e o autor ao publicar isto num jornal está, decididamente, a tornar o mundo um pouco menos perfeito, em especial para as pessoas, seus filh@s ou não, que não sejam heterossexuais.

Num tom muito mais egocêntrico, custa-me a descontinuidade desta bela linhagem e um clima de pouco à vontade nos jantares de Natal lá em casa”. Uma coisa joga a favor do Ricardo, dispõe ainda de onze meses até educar-se a si e à sua família sobre a influência que a orientação sexual de uma pessoa tem nas suas qualidades sociais. É que demonstrar falta de à-vontade devido à natureza de uma pessoa é uma tremenda falta de educação e isso, sim, poderia azedar o ambiente natalício. Quanto à continuidade da alegada bela linhagem, quem diz ao Ricardo que, tendo filhos ou filhas heterossexuais, estes quererão ou poderão ter descendência? Mais, quem diz ao Ricardo que, tendo filhos ou filhas homo ou bissexuais, estes não quererão ou não poderão ter descendência? É, pois, uma não questão.

Mais do que desejarmos que os nossos filhos e as nossas filhas sejam assim ou assado, porque o mundo ainda impõe assim e assado, por que não deixá-l@s tal e coiso se é isso que são e se é isso que @s preenche como seres humanos. É também responsabilidade dos pais e mães fomentarem um ambiente familiar e social onde ser-se assim, assado, tal e coiso é tão verdade como desejar-lhes a felicidade que só um pai e uma mãe podem ambicionar a um filho ou a uma filha. Bem simples. É isso que prefiro.

Por Pedro Carreira

Ativista pelos Direitos Humanos na ILGA Portugal e na esQrever. Opinião expressa a título individual. Instagram/Twitter/TikTok: @pedrojdoc

6 comentários

  1. anisioluiz2008 – cético - crítico - inquieto - amante de jazz -gosto muito de fotografia - leio muito - amo futebol e literatura - vivo cada dia com a mesma vontade... - acredito que o dia de hoje é o melhor da minha vida, aconteça o que acontecer...sinto que o renascer, a manhã, o abrir os olhos é o melhor sinal... mais um presente que chega...- LINHA POLÍTICA: ESQUERDA...
    anisioluiz2008 diz:

    Republicou isto em O LADO ESCURO DA LUA.

    1. Pedro Carreira – Portugal – Ativista pelos Direitos Humanos na ILGA Portugal e na esQrever. Opinião expressa a título individual. Instagram/Twitter/TikTok: @pedrojdoc
      Pedro José diz:

      Obrigado pelo comentário, junt@s será mais fácil fazê-lo 🙂

  2. De concreto, a única certeza, é a morte! Há uma linha feminista que diz que a mãe por gerar é sabida qual é, só que há mulheres que podem não ovularem e são fecundadas por inseminação artificial! Noutra ponta, numa conversa sobre possibilidade de nascer sem próstata, minha tia, outrora, me perguntou se era situação de um dos meus irmãos casados, ai eu disse como seria se há dois filhos? Como ela não se alongou no assunto presumo que ele tenha sabido da “limitação” e ai como o semem iria “caminhar e ser ejaculado” nas relações. Logo, não basta sentir atração pelo sexo oposto para deixar descendentes, mesmo que aparentam ser descendência biológica/sua!

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