Candidatura ao EuroPride 2022: “A participação cívica deixou de ser património hegemónico de ativistas LGBTI+”

A candidatura de Portugal ao EuroPride, o maior evento LGBTI+ da Europa, foi anunciada na semana passada e será apresentada esta sexta pela Variações com o apoio da ILGA Portugal e do Governo Português. Talvez não seja de estranhar que muitos dos comentários que a notícia recebeu sejam de pura homofobia: “já preparar uma ação nuclear para aniquilar tudo de uma vez“; “querem impor a orientação deles, fiquem lá no vosso canto“; ou ainda “Bolsonaro, vem urgente para cá!!!” são apenas alguns dos exemplos encontrados.

Estas são respostas à ideia de criar um roteiro LGBTI+ de dez dias em setembro de 2022. O arranque do evento deverá acontecer no Porto, onde será construída uma vila LGBTI+ que vai servir de palco não só para concertos, mas também para conferências e atividades culturais. O evento irá por fim terminar em Lisboa, que, além de ter uma também uma vila LGBTI+, irá realizar-se a marcha EuroPride, “que atrai quase um milhão de pessoas de todo o mundo”, explicou Diogo Vieira da Silva, diretor executivo da Variação, ao Público.

Mas como reage a estes novos desafios e às resistências encontradas dentro da comunidade? Assim nos explicou:

O que simboliza para a Variações trazer um projeto desta envergadura, de norte a sul do país?
É importante referir que esta intenção de candidatura apenas surge porque achamos que a Comunidade LGBTI+ em Portugal se encontra agora preparada para receber este evento. A mobilização nacional, com a crescente ação local que tem surgido nos últimos anos permite-nos afirmar que estamos perante uma comunidade cada vez mais diversa, crítica e mobilizada. A participação cívica deixou de ser património hegemónico de ativistas LGBTI+ para se multiplicar noutras esferas da vida em sociedade, desde a política, o associativos, o jornalismo, a escola, as empresas, etc. Esta candidatura simboliza isso, uma comunidade diversa, múltipla e complexa. Que já não se resigna aos seus espaços/cidades de emancipação e quer ganhar o direitos de sermos nós mesmxs em todo este território ao qual chamamos de Portugal

Está Portugal preparado para este passo?
Nunca se está preparado para uma jornada até se começar o caminho. Esse primeiro passo é o de afirmar que estamos disponíveis a tentar e é o que iremos fazer na próxima sexta-feira! A questão agora é vermos quem dentro da comunidade quer que estejamos preparados e se quer envolver para concretizar esta candidatura, ou quem, por outro lado, acha que a Comunidade LGBTI+ deve continuar conformada com a sua realidade ao não ter acesso a uma maior realidade emancipatória.

Como reagiram aos múltiplos comentários de ódio sobre o anúncio da candidatura de Portugal ao EuroPride?
Reagimos com a certeza de que esta candidatura é mesmo necessária! O desconhecimento do grande público perante a realidade das pessoas LGBTI+ e da Comunidade LGBTI+ é notável. Se isso se justifica por um lado pela ignorância, medo e desconhecimento, por outro é também culpa do movimento LGBTI+ a sua incapacidade em formar a sociedade em geral para a diversidade “Queer”. Tal exige a criação de projectos comunitários e de estruturas congregadoras que trabalhem todos os dias em prol da comunidade. Organizações que por vezes substituem o estado e dão apoio especializado às pessoas LGBTI+ e educam o resto da sociedade em geral, tal, como por exemplo, organizações com a ILGA Portugal, a AMPLOS, a rede ex aequo, a Casa Qui, a Opus Gay fazem em Lisboa, ou a Associação Plano i e o It Gets Better no Porto.


Qual é, para vocês, a melhor resposta que pode ser dada aos mesmos?
Ganhar a candidatura ao EuroPride 2022. Ao se concretizar, será a maior evento internacional LGBTI+ alguma vez realizado em Portugal em prol do Direitos Humanos das pessoas LGBTI+. Com a organização da Conferência de Direitos Humanos, programação Cultural alargada, realização da Marcha EuroPride, etc. Acreditamos que será um ponto de viragem no que diz respeito à visibilidade das causas LGBTI+, bem como no envolvimento da Sociedade na sua defesa. Pois ficará claro, quem da Política, Sociedade Civil, Educação, Cultura e Economia não se quiser envolver nesta combate e celebração, é porque prefere manter uma realidade que restringe as pessoas LGBTI+ e as limita na sua vida do dia a dia.

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A apresentação da candidatura será feita na sexta-feira, dia 18 de janeiro, no The Late Birds Lisbon.

Se encontrares ou fores vítima de discurso de ódio, podes fazer denúncia no Observatório da Discriminação.

Imagens daqui.

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