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Fazer o género de Manuel Martins, cidadão e democrata cristão

Manuel Martins é líder do Partido Cidadania e Democracia Cristã (antigo Partido Pró-Vida), o mesmo que “quer concorrer coligado com o Chega e o Democracia 21” nas próximas eleições europeias. Condecorado por Cavaco em 2015, Manuel decidiu esta semana pegar na notícia onde se diz que a “desigualdade de género estará a afetar a natalidade em Portugal”, ignorar a parte da desigualdade na remuneração ou dos trabalhos domésticos e moldá-la à sua ideologia. Vejamos então como os argumentos que Manuel Martins utiliza são mais frágeis que uma hóstia em dia de primeira comunhão:

1º Igualdade de género corresponde à possibilidade de cada pessoa poder escolher o Género com que se identifica, não podendo por isso ser d[i]scriminado. Por isso temos cada vez mais pessoas do sexo feminino a dizerem que se identificam como pessoas do sexo masculino. Este facto vai fazer com que estas mulheres não queiram ser mães.

A igualdade de género engloba tantos temas e o Manuel vai focar-se primeiramente nos homens trans. Diz ele então que, se contarmos apenas a camada jovem, aqueles doze (!) homens que mudaram de género e nome legais são responsáveis pela baixa natalidade em Portugal. Porque, imagino, se não tivessem a possibilidade de afirmar legalmente a sua identidade tornar-se-iam em lindas donas de casa. É isto? *cough* Prossigamos…

2º Com a Igualdade de Género também se promoveram os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, logo como a biologia o determina, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo não geram vida.

E…? Querem ver que os casais heterossexuais são obrigados a terem descendência caso contrário verão o seu casamento anulado? E não há a possibilidade de adoção? De PMA? Ou o sexo só conta se for para procriação, aos sábados de manhã, de luz apagada e em posição missionária?

3º A igualdade de Género promove a libertação da mulher da sua maternidade, por isso nas escolas as jovens mulheres foram bombardeadas com políticas de saúde sexual reprodutora, que visam tudo menos a natalidade. O aborto é usado como método de contraceção.

As mulheres foram libertadas, yay? Podíamos ficar por aqui, mas não, as raparigas foram ‘bombardeadas’ com informação sobre o seu corpo e saúde sexual. Querem ver que elas agora até já podem decidir em consciência como, se e quando pretendem ser mães?! O mundo está perdido! Afirmar que a interrupção voluntária da gravidez é usada como método contraceptivo demonstra apenas um tremendo desconhecimento do impacto emocional que a mesma tem numa mulher. Esta jamais o fará de ânimo leve, muito menos com a educação que agora recebe. Mais, está hoje muito mais protegida do que antes da legalização da IVG, onde interromper uma gravidez era muitas vezes sinónimo de complicações graves para a mulher que, para além de todo o estigma, o fazia em condições miseráveis e demasiadas vezes pagava com a própria vida. Mas claro que tem que vir um homem explicar aquilo que as mulheres devem ou não fazer, devem ou não sentir.

E não apenas homens sentem uma certa nostalgia do antigamente…

4º A igualdade de género parte da ideia que é na família que se inicia a exploração do homem pelo homem, apresentando a família como o lugar onde nasceu o capitalismo.

A exploração que existe na família dita tradicional cai, quase em exclusivo, na mulher. Basta lembrar que, apesar de serem as mulheres as mais formadas em Portugal desde 1986, estas continuam a receber apenas 83,3% da remuneração média mensal de base dos homens. É esta a preocupação maior do Manuel, certo?

5º A igualdade de Género transforma os cuidados maternais em trabalho operário extirpando as tarefas domésticas de toda a dimensão afetiva e Humana.

Não, Manuel! Não é mesmo nada disso. Até porque os estudos apresentados fazem a comparação entre a dimensão afetiva da mãe contra a do pai e, imagine, a da mãe ganha sempre, quer ela queira quer não. Até parece que existe uma imposição social e moral em que a mulher tem o dever único dos cuidados maternais e tarefas domésticas. O homem existe para levar o saco do lixo e já não é nada mau, nem dá para perceber o queixume!

6º A destruição do homem fruto da radicalização das narrativas das organizações feministas e LGBT apoiados nos meios de comunicação na promoção da ideologia de género também é desastroso para a natalidade.

Qual é a destruição do homem que fala? Aquele que impera nos cargos de decisão e de topo? Aquele que impera nos artigos de opinião de jornais e televisões? Repare, enquanto estes homens estiverem renegados a posições tão ingratas como as de chefia, liderança política ou de opinião paga, dificilmente terão disponibilidade para apoiarem a natalidade nacional. Recomendo que aceitem o enorme sacrifício que será cederem algumas das vossas posições em nome da manutenção da espécie humana que, como toda a gente sabe, está em risco nem tem crescido exponencialmente nas últimas décadas. Pormenores.

Por isso caros Doutores digo eu que só haverá crescimento demográfico se as Universidades produzirem conhecimento Verdadeiro, a Universidade não pode estar ao serviço de nenhuma Ideologia nem de outros interesses que não sejam o conhecimento da verdade.

E eu a pensar que criar condições para que as famílias tenham crianças seria uma das formas de fomentar a natalidade. Como, por exemplo, a defesa de políticas de, *glup*, igualdade de género, dando, por exemplo, mais direitos laborais para que os pais possam fazer parte ativa do cuidado das crianças e não ficar tudo a cargo das mães. Outra hipótese seria voltar ao passado em que a ignorância e a pobreza lançavam as pessoas e repectivas famílias para a miséria. O lema salazarista “Deus, Pátria e Família” encaixa tão bem nesta opção que nem dá para perceber a resistência de um povo a regressar aos moldes sociais e políticos de uma ditadura. Ingrato, pá!

PS: homem e mulher são complementares, a igualdade fruto da ideologia é a castração da diversidade e do pluralismo, somos todos diferentes ninguém é igual a ninguém…

Complementares em que doutrina, em que ideologia? Direi que há pessoas que, sim, se complementam de diversas formas. Mas haver entidades que defendem um modelo único, sexista, homofóbico, transfóbico, racista e xenófobo é limitador para toda a sociedade. A diversidade e o pluralismo não se encontram em entidades absolutistas e é esse o nosso trunfo, não nos limitarmos a uma única visão do que é ser homem, ser mulher, do que é uma família e da comunhão de todos estes aspectos da sociedade e do ser humano. Trair estes princípios em nome de um dogma é ser menos do que aquilo que somos e do que nos podemos tornar um dia. Lamento, Manuel, mas a cidadania não é unipessoal nem unireligiosa. E ainda bem, pois não faz nada, mesmo nada o meu género.

Nota: Por opção foram omitidas ligações (links). Imagem do perfil público no Facebook.

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