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Virgínia Quaresma: Mulher, negra, jornalista, lésbica e ativista

Virgínia Sofia Guerra Quaresma nasceu no 28 de dezembro de 1882, em Elvas. Foi das primeiras mulheres a obter a licenciatura do Curso Superior de Letras, que mais tarde deu origem à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi no jornalismo que encontrou a sua voz. Uma percursora do seu tempo, notabilizou-se em questões femininas e políticas. Pode afirmar-se que foi pela mão de Virgínia Quaresma que o feminismo se consolidou na imprensa portuguesa, graças à secção “Jornal da Mulher” que escrevia para O Mundo. No início do século XX, também foi redatora principal da revista Alma Feminina. Nos anos seguintes, dedicou-se ao jornal O Século e ao ensino na Casa Real Pia.

No ativismo, destacou-se na Liga Portuguesa da Paz, na associação La Paix et le Désarmement par les Femmes e na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Deste ponto de vista, teve um papel fundamental na campanha a favor da aprovação da Lei do Divórcio (1909). “Escreveu, opinou, polemizou em nome da causa feminista e pela igualdade de direitos; o voto, o direito ao trabalho, o acesso às mesmas profissões que os homens, à administração dos bens, ao divórcio, foram tema dominante dos seus artigos e das páginas dos jornais onde colaborou”. Mais recentemente, foi citada como um nome vanguardista no feminismo negro, que é tantas vezes silenciado.

Para além dos cargos diplomáticos que ainda veio a ter, a jornalista foi diretora da sucursal de Lisboa da Agência Americana de Notícias. Nesta altura, dividiu-se entre Portugal e Brasil para compromissos profissionais. Marcou a “passagem” para o jornalismo moderno, em que se destacaram os géneros da reportagem e da entrevista.

Com todos os feitos supra descritos e também pelos serviços prestados na Primeira Guerra Mundial, em que ajudou órfãos de viúvas de guerra, Virgínia Quaresma foi condecorada com o grau de grande-oficial da Ordem de Santiago.

Virgínia Sofia Guerra Quaresma, mulher negra, lésbica, ativista, jornalista, faleceu no dia 26 de outubro de 1973 com 90 anos de idade. “Fui apenas uma redatora que amava o jornalismo e que vivia para a reportagem», referiu acerca da sua vida. Contudo, uma percursora no jornalismo e na luta pelos direitos das mulheres. Uma mulher inspiradora de quem é preciso falar.

Fontes: Centro de Documentação e Arquivo feminista Elina Guimarães, Público

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