Portugal, um país repleto de assimetrias

Muito se tem falado em orientação sexual nos últimos anos, seja de forma positiva ou de forma negativa. Incrível. Incrível como Portugal, sendo um país pequeno, consegue ao mesmo tempo ser um país com tantas culturas, tradições e formas de pensar distintas entre o interior, marcado pelo ruralismo, e o litoral, marcado pelo urbanismo.

Apesar de já existirem várias instituições e associações em Portugal que se debruçam na conquista dos direitos das pessoas LGBTIQ+, na igualdade de acessos, no acompanhamento psicológico, no combate ao preconceito e à discriminação. O que é certo, é que se olharmos para o interior do nosso país, não existem praticamente nenhumas instituições que se dediquem a esta problemática. Ou seja a maior parte destas instituições estão situadas nas grandes cidades, nomeadamente Lisboa e Porto. 

Já foram conquistadas várias leis, existem movimentos LGBTIQ+, as pessoas começam a ficar consciencializadas, e as próprias pessoas LGBTIQ+ começam a ganhar mais coragem para não se esconderem. Porém existe muito intervencionismo social a ser feito. Não são só com leis que todas as indivíduos vão mudar a sua mentalidade da noite para o dia. Isto é, acaba por ser progressivo, embora em muitos casos seja muito difícil, por exemplo quando uma pessoa é homofóbica e teve uma educação direcionada para a não aceitação de casais constituídos por pessoas do mesmo sexo, torna-se mais complicado aceitar. Não devemos generalizar, mas a maior parte das pessoas que foram educadas segundo estas regras são as populações mais envelhecidas e que residem maioritariamente no interior. Saem menos, contactam quase sempre com as mesmas pessoas, e de certa forma acaba por haver menos diversidade nas suas redes de amigos e familiares, o que os obriga de certa forma a conviver sempre com a mesma ideia e priva-os de “contactarem” com a diversidade. Esta privação pode levar a comportamentos preconceituosos, pois não estão habituados a conviver com a diferença.

Em suma, o importante a refletir é que Portugal ainda tem um caminho longo pela frente. É necessário combater as assimetrias existentes no nosso país. Tratam-se de pessoas que se privam de serem elas mesmas, por viverem com vergonha ou receio. A diversidade humana deve ser enaltecida e não refutada. As pessoas não devem ser julgadas pelo facto de amarem outra pessoa, esqueçamos os rótulos e as regras que a sociedade nos impõe. Que se combatam estas assimetrias e que a informação chegue a todo o lado, porque muitas vezes o preconceito gira à volta do desconhecimento e da falta de consciencialização.

Fonte: Imagem.


Por Carolina Vale Santos

É natural de Santarém. Atualmente, frequenta a licenciatura de Serviço Social no Instituto Superior de Serviço Social do Porto. É formada em géneros e sexualidade em contexto de intervenção social. Tem formação em cuidados paliativos pediátricos. Escreve artigos de opinião. É ativista dos direitos humanos. Participou na 13° Escola Ex Aequo da Rede Ex Aequo, no qual foi aprovada na formação do projeto Educação LGBT. Realizou vários estágios, sendo o primeiro estágio num Centro de dia, o segundo estágio foi num Gabinete de Ação Social, o terceiro estagio foi realizado numa Unidade de Cuidados Continuados e o quarto estágio foi realizado numa ONG com projetos nacionais e projetos a nível internacional. As suas principais áreas de interesse são intervenção social, géneros e sexualidade, violência doméstica, violência no namoro, racismo, igualdade de género, comunicação e ensino e formação.

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