Será mesmo necessário reconhecer a heterofobia?

No passado dia 2 de Maio saiu um artigo de opinião no Jornal Económico, escrito pelo advogado Pedro Borges de Lemos, que tinha como título: “E reconhecer a heterofobia?” 

O advogado afirma que é necessário reconhecer a heterofobia, através de afirmações como: “Muitos daqueles que abandonaram os “armários” onde se queixam de se terem escondido durante tanto tempo, são os primeiros a empurrar agora os heterossexuais lá para dentro.” É certo que cada um de nós tem direito a ter a sua opinião, no entanto não me parece que as pessoas LGBTIQ+ andem a “empurrar” heterossexuais para dentro do armário. Mais uma vez, surge de forma injusta a ideia de que as pessoas LGBTIQ+ querem sobrepor-se às pessoas heterossexuais, quando na realidade as pessoas LGBTIQ+ só querem a mesma visibilidade.  

Outra das afirmações proferidas por Pedro Borges de Lemos foi, “Estão também a crescer as probabilidades das pessoas LGBT terem proteção legal contra alegadas discriminações para conseguirem emprego ou terem acesso privilegiado à educação e à saúde, e assim serem tidas como prioritárias na sociedade.” Não sei de que privilégios fala, tendo em conta que as pessoas LGBTIQ+ tem vindo ao longo dos anos a lutar contra o preconceito existente na nossa sociedade, seja no âmbito do trabalho, da escola, da universidade, da saúde, é necessário serem criadas medidas para promover a proteção legal contra a discriminação, que muitas vezes se manifesta através de agressões físicas, psicológicas, através de chantagem, entre outras.

E por último a melhor de todas as frases ditas pelo advogado, “Mas para que a luta não seja agora desigual é preciso tonificar a ideia de que a heterofobia é uma realidade que deve ser combatida já.” Eu concordo que todos os cidadãos tenham os mesmos acessos independentemente da sua orientação sexual, classe social, religião, cultura, nacionalidade. No entanto, não compreendo de que heterofobia fala, porque não se vêem pessoas heterossexuais a serem espancadas, gozadas, humilhadas, discriminadas e chantageadas por serem heterossexuais. Aliás, os heterossexuais sempre tiveram os seus direitos reconhecidos e nunca tiveram que ter medo de o ser, porque sempre foram aceites pela sociedade.

Para concluir, é muito triste os órgãos de comunicação social alimentarem este tipo de opiniões, que mais uma vez demonstram desconhecimento relativamente à temática LGBTIQ+, baseando-se em opiniões preconceituosas que nada tem a ver com a realidade. É importante que se tome consciência de que as pessoas LGBTIQ+ nada mais querem que os mesmos direitos. Não se trata de superioridade, mas sim de igualdade.

Por Carolina Vale Santos

É natural de Santarém. Atualmente, frequenta a licenciatura de Serviço Social no Instituto Superior de Serviço Social do Porto. É formada em géneros e sexualidade em contexto de intervenção social. Tem formação em cuidados paliativos pediátricos. Escreve artigos de opinião. É ativista dos direitos humanos. Participou na 13° Escola Ex Aequo da Rede Ex Aequo, no qual foi aprovada na formação do projeto Educação LGBT. Realizou vários estágios, sendo o primeiro estágio num Centro de dia, o segundo estágio foi num Gabinete de Ação Social, o terceiro estagio foi realizado numa Unidade de Cuidados Continuados e o quarto estágio foi realizado numa ONG com projetos nacionais e projetos a nível internacional. As suas principais áreas de interesse são intervenção social, géneros e sexualidade, violência doméstica, violência no namoro, racismo, igualdade de género, comunicação e ensino e formação.

3 comentários

  1. aquaze – Alguns livros ficcionais publicados, o último dos quais, "Reencontro", em 2009. A viver em Lisboa e escrevendo ora centradamente ora dispersamente.
    aquaze diz:

    Acenar com um medo novo, o alucinatório medo de perseguição aos heterossexuais (psicanaliticamente podia dizer-se uma “angústia de castração”), faz lembrar espectros antigos, esses que a propaganda nazi produzia, acusando os judeus de quererem dominar o mundo, através da economia e da cultura. O problema é que os medos alucinatórios (contra os quais argumentos racionais nada podem) são altamente contagiosos na espécie animalhumana, e podem desencadear grandes violências: nada mais perigoso que um animal acossado, neste caso alucinatoriamente acossado.

  2. se é realmente igualdade pq não se importam com esse problema também ? eu já vi e já lidei com muita gente contra a minha sexualidade( hetero ) para não faltar que não me respeitaram de todo eu tive de lidar com isso por 2 anos , pq o que eu vejo é injustiça e preconceito e hipocrisia

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