O Serviço Social e a temática LGBTIQ+

A temática LGBTIQ+ já começa a ser abordada em diversas áreas, seja no campo da sociologia, da medicina, da psicologia, do serviço social, da educação social ou no direito. Ainda assim, no serviço social, que corresponde ao curso que qualifica futuros assistentes sociais, prontos e aptos para intervir a nível social com qualquer público nas mais diversas áreas, continua a ter um longo caminho e muito trabalho pela frente na intervenção social com pessoas LGBTIQ+ e na resolução dos problemas expostos neste contexto. 

A/O assistente social é dos profissionais mais próximos e centrados no ser humano, que intervém a nível social e que se debruça com os problemas sociais apresentados pela população vulnerável e fragilizada. Na temática LGBTIQ+ são diversos os assuntos que podemos encontrar e que devem ser resolvidos a nível social, como a LGBTIfobia; o bullying homofóbico, o bullying bifóbico e o bullying transfóbico; a violência doméstica; a violência no namoro; abandono da família; crimes de ódio, entre outros. 

Um dos objetivos a ser alcançado ainda em pleno século XXI, são os planos curriculares do curso, que abordam de uma forma muito superficial este tema, sem que haja uma cadeira específica relativa aos movimentos LGBTIQ+. Por sua vez, esta falta de formação reflecte-se na prática do profissional, que estando ou não a exercer a sua profissão numa Instituição LGBTIQ+ pode deparar-se com problemas relativos à temática LGBTIQ+, o que pode fazer com que sinta dificuldade em responder às vertentes expostas.

Existem diversas instituições em Portugal que se debruçam sobre a conquista dos direitos das pessoas LGBTIQ+. A verdade é que embora haja várias instituições, continuam a ser muito poucos os assistentes sociais que tem formação específica para trabalhar com esta população, sendo que a maior parte das vezes apenas os técnicos que se encontram a trabalhar diretamente nestas instituições é que tem formação específica na temática LGBTIQ+, porém as questões LGBTIQ+ cruzam-se com outras áreas. Por exemplo, imaginemos a seguinte situação: um assistente social que intervém em contexto escolar, vê-se perante uma criança que demonstra dúvidas relativamente à sua orientação sexual e que não tem abertura com a família para abordar estas questões, neste tipo de situações o técnico deve estar apto para responder da forma mais clara possível, sem induzir a criança em erro e/ou evitar criar situações em que a criança sinta-se constrangida em relação a si mesma e perante os restantes colegas. É um pequeno exemplo, mas justifica bem a importância e a necessidade de ter e procurar obter mais formação a este nível, por parte dos assistentes sociais.

Em suma, é preciso refletir sobre a forma mais adequada para evoluirmos e conseguirmos dar repostas a todas as frentes de trabalho, seja através de estágios em instituições que salvaguardam os diretos das pessoas LGBTIQ+, seja em planos curriculares mais direcionados para esta área ou em seminários e palestras que se debrucem sobre este tema. 

Fonte: Imagem original.


Por Carolina Vale Santos

É natural de Santarém. Atualmente, frequenta a licenciatura de Serviço Social no Instituto Superior de Serviço Social do Porto. É formada em géneros e sexualidade em contexto de intervenção social. Tem formação em cuidados paliativos pediátricos. Escreve artigos de opinião. É ativista dos direitos humanos. Participou na 13° Escola Ex Aequo da Rede Ex Aequo, no qual foi aprovada na formação do projeto Educação LGBT. Realizou vários estágios, sendo o primeiro estágio num Centro de dia, o segundo estágio foi num Gabinete de Ação Social, o terceiro estagio foi realizado numa Unidade de Cuidados Continuados e o quarto estágio foi realizado numa ONG com projetos nacionais e projetos a nível internacional. As suas principais áreas de interesse são intervenção social, géneros e sexualidade, violência doméstica, violência no namoro, racismo, igualdade de género, comunicação e ensino e formação.

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