Estudo mostra que homens com irmãos mais velhos são mais propensos a sentir atração pelo mesmo sexo

Novo estudo mostra que ter um número maior de irmãos mais velhos aumenta a probabilidade de uma pessoa vir a ter uma união do mesmo sexo.

Nas últimas décadas, muitos países alcançaram progressos notáveis no que toca à igualdade de tratamento das pessoas LGBTI+. Portugal, por exemplo, comemorou este mês 12 anos de casamento igualitário. Mas, apesar destes desenvolvimentos encorajadores, as minorias sexuais ainda vivem sob altos níveis de estigma, sendo que as origens da orientação sexual continuam a ser motivo de debate.  E isto importa porque é sabido que pessoas que entendem a orientação sexual como um produto de fatores biológicos são mais propensas a apoiar as minorias sexuais e os seus direitos, do que aquelas que a vêem como um produto de fatores sociais ou de escolha individual.

O “efeito de ordem de nascimento fraterna” é um dos padrões mais bem documentados que apoiam uma origem biológica da orientação sexual humana. Essa hipótese propõe que a propensão dos homens à homossexualidade aumenta com o número de irmãos biológicos mais velhos que eles têm.

Este efeito tem sido atribuído à reação imune de uma mãe a proteínas produzidas por um feto masculino. As proteínas entram na corrente sanguínea da mãe e desencadeiam a produção de anticorpos que influenciam o desenvolvimento sexual das crianças subsequentes.

Esses anticorpos maternos acumulam-se ao longo de gestações sucessivas com fetos masculinos, o que significa que homens com irmãos mais velhos são mais propensos a sentir atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

No entanto, pesquisas anteriores que documentaram o efeito da ordem de nascimento fraterna basearam-se em amostras participantes pequenas e seletivas, o que levou especialistas a questionar a autenticidade do fenómeno. De facto, nenhum estudo de uma amostra populacional representativa apoiou sua existência – até agora.

A pesquisa agora apresentada usou dados exclusivos de registros populacionais holandeses. Esses dados permitiram acompanhar as trajetórias de vida de mais de nove milhões de pessoas nascidas entre 1940 e 1990.

Em estudos anteriores, foram usados esses dados para examinar se o sexo dos filhos de um casal afetou a estabilidade das suas relações e para comparar o desempenho académico de crianças criadas por casais do mesmo sexo e de sexo diferente. Desta vez, foram usados os dados para fornecer um teste robusto do efeito da ordem de nascimento fraterna.

Embora os dados não contivessem medidas diretas sobre a orientação sexual dos indivíduos, eles indicaram se as pessoas registaram ao longo da sua vida algum tipo de relação, como o casamento ou união de facto. Nos Países Baixos, as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo são reconhecidas desde 1998 e o casamento igualitário desde 2001.

Os resultados mostram evidências claras de um efeito fraterno da ordem de nascimento na homossexualidade. Especificamente, homens com um irmão mais velho têm 12% mais chances de entrar numa união homossexual do que homens com uma irmã mais velha e 21% mais propensos do que homens com apenas um irmão ou irmã mais novos.

A ordem de nascimento e o número total de irmãos também importam. Homens que são o irmão mais novo são mais propensos a entrar numa união homossexual do que homens que são o irmão mais velho, e as diferenças aumentam à medida que o número total de irmãos aumenta. Por exemplo, a probabilidade de um homem entrar numa união com uma pessoa do mesmo sexo é 41% maior se ele tiver três irmãos mais velhos, em oposição a três irmãs mais velhas, e 80% maior do que se ele tivesse três irmãos mais novos.

O gráfico abaixo ilustra alguns de nossos achados, mostrando o número de homens que entraram em uniões do mesmo sexo entre aqueles com até três irmãos. O sexo dos irmãos mais velhos exerce uma influência considerável sobre a formação da união entre pessoas do mesmo sexo. Por outro lado, o sexo dos irmãos mais novos desempenha pouco ou nenhum papel.

Os dados abrangem homens nascidos nos Países Baixos entre 1940 e 1990. O modelo estatístico subjacente contabiliza as diferenças no ano de nascimento. Isso descarta a possibilidade de que os resultados se devam a diferenças de idade entre os grupos. Intervalos de confiança de 95%.

Ao contrário de estudos anteriores que se concentraram quase exclusivamente em homens, foi também documentado aqui o mesmo padrão de resultados entre as mulheres, tendo sido descoberto que as mulheres também são mais propensas a entrar numa união homossexual se tiverem irmãos mais velhos. Este descoberta fornece suporte – ainda provisório – aos argumentos de que anticorpos maternos e proteínas fetais também interagem para influenciar o desenvolvimento sexual das mulheres.

Estes resultados contam uma história clara e consistente: o número e o sexo dos irmãos desempenham um papel importante no desenvolvimento da sua sexualidade. Esta evidência alinha-se diretamente com perspectivas que enfatizam a orientação sexual como um traço inato e um reflexo do verdadeiro eu de uma pessoa.

Uma base biológica para a sexualidade humana sugere que práticas prejudiciais, como terapia de conversão, não podem alterar a orientação sexual de alguém. Estes novos dados também desacreditam alegações de que a homossexualidade pode ser “ensinada” ou influenciada por pessoas LGBTI ou casais do mesmo género.


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2 comentários

  1. Sobre o âmbito familiar, ainda atrelo, a memória fetal que tem grande peso, como em minha familia: eu e meus irmãos temos “resquícios” da vontade de nossa mãe que viessemos “meninas”, indo desde problemas de desenvolvimento atrelados ao gênero feminino como no caso da coluna até o que tem trejeitos bem afeminados! O irmão que faria o “meu tipo” como se diz, aconteceu esse entendimento depois que tive a primeira ejaculação motivada pela atração que as pernas de um colega me proporcionou. Ou seja, não é exatamente estar no ambiente predominante masculino que definiria a homossexualidade, mas ela surgida, nosso corpo “reage” a beleza de familiares, como de irmão!

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