Professor da Universidade de Aveiro declara-se homofóbico: “Façam queixa à polícia e prendam-me”

Professor da Universidade de Aveiro declara-se homofóbico: "Façam queixa à polícia e prendam-me"

As posições discriminatórias de Paulo Lopes, docente na Universidade de Aveiro, já são conhecidas da instituição desde pelo menos 2021. Nesse ano já admitira posições de teor racista a propósito da detenção de suspeitos pela morte do estudante caboverdiano Luís Geovani ou, evocando António Variações se havia “orgulho em ser-se doente e pervertido?”

Na altura o reitor da Universidade, Paulo Jorge Ferreira, ordenou a abertura de um processo de inquérito, uma vez que a organização “considera inaceitável que uma instituição pública seja tolerante e conivente com os seus docentes que assumam, aberta e publicamente, discursos que violam a Constituição da República e os mais elementares valores democráticos”.

No entanto, Paulo Lopes manteve a sua posição na Universidade e este ano voltou a partilhar posições altamente homofóbicas e transfóbicas, agravadas pelo incentivo à violência. Em causa está a campanha ABCLGBTQIA+, promovida pela Fox Life um pouco por todo o país.

Paulo Lopes afirmou em pleno Mês do Orgulho que comunidade LGBTI+ leva à “decadência civilizacional”, que é “intolerante”, “radical”, um “lixo humano”, estando “associada a pessoas profunda e mentalmente perturbadas” e pede ainda que Putin a “meta nos eixos”.

Quando entrevistado pela TVI, Paulo Lopes admitiu o teor discriminatório das suas publicações: “Homofóbico, com certeza que sou!” E quando a jornalista lhe perguntou se sabia que a homofobia é crime em Portugal, respondeu: “Então. façam queixa à polícia e prendam-me!” Afirmando ainda que está a ser alvo de perseguição interna por organização de “LGBT, pedófilos e assassinos em série”.

Reitoria e Associação Académia a trabalhar para “resolver de vez a situação que há muito se tem arrastado”

Após estas declarações, e mais uma vez, a Universidade de Aveiro emitiu um comunicado em que garante que “atuará em conformidade, com rapidez e firmeza” contra as condutas que “possam interferir” com um “ambiente de respeito e confiança”, dizendo que não irá tolerar “discursos de ódio, de discriminação ou de incitação à violência, qualquer que seja a sua natureza, origem ou contexto”.

A ideia de impunidade, no entanto, persiste.

A Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) manifestou igualmente o seu “total repúdio à conduta pessoal” do docente, considerando que a mesma afeta estudantes desta academia. “A AAUAv não pode tolerar qualquer tipo de discurso de ódio ou de discriminação e muito menos de incitação à violência”, refere. A AAUAv tem vindo a trabalhar conjuntamente com a Reitoria no sentido de tomar “todas as diligências possíveis e resolver de vez a situação que há muito se tem arrastado”.

Uma antiga aluna do Departamento de Física da UA afirmou: “Deixa-me absolutamente sem palavras que isto tenha acontecido de forma repetitiva. Numa Universidade que promove abertamente a tolerância, a liberdade e a igualdade sem disccriminação, é muito triste e revoltante que deixem que alguém com um comportamento destes se mantenha em atividade sem algum tipo de consequência”. E continuou: “Estas coisas devem ser sempre denunciadas e não podem passar sem consequências, principalmente quando falamos de alguém que tem impacto na educação superior dos alunos”.

“Se tivesse conhecimento desta posição discriminatória do professor na altura em que tinha de lidar semanalmente com ele, também não me teria sentido confortável na sala de aula”, concluiu.

Atualização

Foi convocada uma manifestação para o próximo dia 4 de julho pelas 13h frente à reitoria da Universidade de Aveiro:

Atualização 4 de julho

A reitoria suspendeu o professor em causa. Será temporária por questões do inquérito instaurado.

Em declarações à Lusa, o reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, esclareceu que a suspensão temporária foi determinada na mesma manhã em que se deram as manifestações contra o docente, na sequência de um processo disciplinar instaurado na sexta-feira contra o professor de Física.

“Todos os elementos relevantes para o processo foram reunidos e o processo foi instaurado na sexta-feira passada. O professor foi ainda suspenso, já no âmbito desse processo, para que agora se possam proceder às diligências necessárias com a tranquilidade indispensável”, disse o reitor.

Atualização 5 de julho

O Ministério Público abriu igualmente uma investigação a Paulo Lopes, professor do departamento de Física da Universidade de Aveiro, após os comentários proferidos pelo docente nas redes sociais e em entrevistas a órgãos de comunicação social. “Confirma-se a recepção de denúncia relativa à matéria em referência. A mesma deu origem a inquérito que corre termos no DIAP de Aveiro”, disse a Procuradoria-Geral da República.

4 comentários

  1. A partir do momento que as Leis e a Justiça são afrontadas e demora haver reação a provocação, a democracia fica “ameaçada”! O Brasil passa por tempos difíceis com o STF tendo manifestação ideológico política! As Forças Armadas disseram estar atentas, caso as Eleições Não transcorram pacificamente, afinal depois que um presidiário teve Antecedentes Criminais “zerado” voltando ao cenário político!!!

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