Svante Pääbo é Nobel da Medicina e cientista orgulhosamente bissexual

O geneticista sueco e bissexual Svante Pääbo ganhou o Prémio Nobel de Medicina esta semana. Quando descobriu, colegas da sua equipa atiraram-no para dentro de uma piscina para comemorarem.

A atribuição do prémio remete para as suas descobertas sobre o ADN de outras espécies humanas, nomeadamente a sequenciação do genoma de neandertais e a descoberta dos denisovanos. Como um dos fundadores da paleogenética, Svante Pääbo reconstruiu com sucesso o genoma dos neandertais. Estes são o parente antigo mais próximo do homo sapiens, a espécie humana moderna. Cientistas acreditam que os neandertais divergiram geneticamente do homo sapiens entre 500.000 a 650.000 anos.

Svante Pääbo e a sua equipa também descobriram uma nova espécie humana chamada denisovanos, extraindo com sucesso DNA de um pequeno fragmento de osso de dedo encontrado numa caverna na Sibéria. A descoberta ajudou a equipa cientifica a entender como os humanos migraram pela Ásia.

Svante Pääbo deu o exemplo numa área em que cientistas LGBTI+ ainda temem assumir-se

Foi com o seu livro auto-biográfico Homem de Neandertal: Em Busca dos Genomas Perdidos que Svante Pääbo se assumiu publicamente como bissexual em 2014. Ele escreveu que achava ser gay até conhecer e se apaixonar pela sua esposa, a geneticista estadunidense Linda Vigilant. O casal está a criar um filho e uma filha em Leipzig, na Alemanha, onde Pääbo fundou o Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva.

Tal como defende a iniciativa portuguesa SciDoArmário, a afirmação da identidade é fulcral quando se procura promover um ambiente mais seguro e confortável para membros da comunidade LGBTIQ dentro da academia e da investigação científica, nomeadamente nas áreas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics).

Considerando que as pessoas LGBTI+ são menos propensas a trabalhar em STEM devido à discriminação, assédio e exclusão social que encontram, esta é uma poderosa história de inclusão e Orgulho Bissexual nas ciências.

A maior influência na minha vida foi com certeza a minha mãe, com quem cresci”, disse Pääbo na sua entrevista aquando do Nobel. “E, de certa forma, deixa-me um pouco triste que ela não possa assistir a este dia. Ela gostava muito de ciência e estimulou-me e encorajou-me muito ao longo dos anos.”

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