A LGBTQIA+Fobia destilada

Fotografia por Skye Sagisi

No dia 8 de outubro de 2022 realizou-se no Funchal, o Madeira Pride. Esta edição contou com a habitual Marcha, pelas ruas do centro, seguida do Arraial. Embora a adesão não tenha sido tão numerosa, fizemo-nos ouvir e deixamos claro a nossa reivindicação ao respeito. Sim, numa palavra resumimos o nosso clamor, o respeito… Não, não é preciso gostar, nem é preciso entender, mas é nosso dever respeitar!

A arte expressa no palco do Jardim Municipal foi extremamente diversa, bela e deixou uma marca importante em cada pessoa que esteve presente.

Perguntam-nos: “Por que continuam a fazer esse evento? Por que fazem esse barulho todo?”. A resposta é simples, mas também é complexa. Simples, pois a nossa demanda é o respeito… E complexa, pois ao redor do mundo, incluindo a Madeira, diariamente pessoas LGBTQIA+ são vítimas.

Direitos são conquistados apenas por aqueles que fazem as suas vozes ouvidas. A esperança nunca será silenciada.” – Harvey Milk.

Até o início do ano de 1990 a homossexualidade era considerada uma doença e só a 17 de maio desse mesmo ano a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o “homossexualismo” do código de doenças (CID-10), sendo substituído pelo termo homossexualidade. 

Atualmente, existem vários países que criminalizam a homossexualidade, entre eles o Afeganistão, Iraque, Gana, Singapura, Marrocos, Egito, entre outros. Nos países africanos é possível ser preso por ser gay, no entanto, na Ásia a detenção pode ser feita apenas por parecer ser homossexual. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e algumas ONG´s (ILGA, entre outras), existem 13 países em que a criminalização da homossexualidade poderá ser punida com a pena de morte. Entre estes está a Arábia Saudita, Mauritânia, Emirados Árabes Unidos, entre outros.

A violência é frequente na rotina das pessoas LGBTQIA+, muitas vezes sendo espancadas, torturadas e brutalmente assassinadas. O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, de acordo com o Observatório de Mortes e Violências contra LGBTQIA+.

Ainda que em Portugal exista uma legislação em vigor para pessoas LGBTQIA+, na prática continuamos a sentir uma grande fobia. Esse ódio passa pelos olhares carregados de discriminação, as risadas e as chacotas, os comentários e argumentos pejorativos são estes alguns dos traços comuns e presentes na sociedade. 

Nos locais de trabalho e nos espaços de educação (sejam básicos, secundários ou superiores) o preconceito ainda é muito visível, quer tenhamos consciência ou não.

Continuamos a ouvir comentários frequentes como “Quem é o homem da relação?”, “Tens um jeitinho mesmo gay”, “Aquilo é um rapaz ou rapariga?” 

Observamos nas redes sociais, quando publicada a notícia sobre o Madeira Pride, centenas de comentários repletos de fobia. É realmente surpreendente que é um dos eventos mais comentados e falados do ano. Apenas questiono: Se não me diz respeito ou é do meu interesse, por que tanto incómodo? Relembro o ditado: “Quem desdenha, quer comprar.”

Iremos continuar a protestar e a reivindicar até que o respeito seja interiorizado e seja um princípio cívico social. Os movimentos sociais jamais foram pacíficos e a nossa luta continua. Deixem passar esta nossa linda liberdade!

Temos de ser visíveis, sem ter vergonha daquilo que nós somos!” – Marsha P. Johnson.

Por fdiniz

Fábio Diniz é um militante político, defensor do progresso social e do direito à vida para todas as espécies do ecossistema planetário. É estudante na Universidade da Madeira e regularmente escreve, em colaboração com outras plataformas, como a Tribuna da Madeira. Facebook / Instagram: @fabiodiniz.85

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