Depois do binarismo do género: The Representation Project

“Os homens são de Marte e as mulheres são de Vénus.”

“Quase que precisamos de um dicionário para descodificar a linguagem e comportamento das pessoas do outro género.”

“Homens e mulheres só são compatíveis como casal, nunca duram como amigos.”

 

Será mesmo assim? Haverá uma diferença tão grande entre mulheres e homens?

 

Opção 1:

Homens e mulheres são conceitos que derivam de um fundamento biológico. A influência hormonal determina que se comportem e pensem de forma totalmente diferente e oposta.

Opção 2:

O Género é um conceito cultural e independente do sexo biológico. Muitas das diferenças que encontramos na forma de pensar e comportamento entre géneros são resultantes de um condicionamento externo, cultural, e interno, na própria árvore sináptica (ligações entre neurónios no cérebro) da pessoa.

 

A Opção 1 tem dominado a nossa cultura até recentemente, mas o The Representation Project, uma organização sem fins lucrativos, tem dado mais argumentos a favor da Opção 2, procurando afastar o binarismo absoluto do género (ver vídeo abaixo).

Contudo, realço desde já que este conceito não é novo: a grande maioria das pessoas parece ser uma mistura de mulher e homem, neurobiologicamente.

 

 

Através de dois filmes: Miss Representation (2011) e The Mask You Live In (2015), a organização expõe estatísticas e depoimentos de experts, celebridades, políticos e de pessoas “comuns”, enquanto analisa os papéis de género na nossa sociedade (particularmente na sociedade americana) e o quão limitantes estes podem ser tanto para homens como para mulheres. São dois documentários com uma linguagem acessível e que conseguem colocar em perspectiva muitos dos preconceitos que temos relativamente aos vários papéis de género que assumimos como inerentes.

 

Pessoalmente, sinto que qualquer coisa que contradiga a dicotomia: mulher – fútil, maternal, organizada, ansiosa e fraca vs. homem – obcecado por sexo, infantil, forte, engatatão e agressivo é uma lufada de ar fresco.

Isto porque, garanto-vos, não há nada a ganhar em cumprirmos todos estes requisitos. Não há nenhum prémio, nenhum acesso a uma organização secreta (bem, que eu saiba, pelo menos), nem um agradecimento formal.

 

Será que o futuro eliminará o binarismo? Será que passaremos a ser apenas o que já somos: pessoas?

 

Fonte: Unsplash por Josh Felise (imagem)


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Respostas de 2 a “Depois do binarismo do género: The Representation Project”

  1. Avatar de Nuno Gonçalves
    Nuno Gonçalves

    Concordo em absoluto. Venham lufadas de ar fresco.

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  2. Há organizações aqui no Brasil que tratem do assunto?

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