
Na Rússia, há famílias a pagar para que crianças e jovens queer entrem em centros privados para os “curar” através de práticas de conversão. Estas práticas duram meses e acontecem em campos concebidos originalmente para tratar a toxicodependência e o alcoolismo. As práticas de conversão não passam de tortura física e psicológica, sem qualquer evidência clínica.
Na semana em que Portugal criminalizou as práticas de conversão, o The Washington Post denunciou o tratamento que a Rússia está a dar à sua população queer, e em especial a mais jovem. O país baniu em novembro a comunidade LGBTI+ por ser considerada “extremista”.
Ada Blakewell, uma pessoa trans não binária de 23 anos, ativista e jornalista, sofreu nove meses num centro localizado na Sibéria. Blakewell relatou espancamentos e sessões de exercício forçado. Foi-lhe dito que a tortura serviria para ajudá-la a “tornar-se um homem”. Entre as atividades, teve de cortar lenha e matar galinhas, perus e porcos. Num momento, obrigaram a cometer uma castração a um porco, fazendo a associação a uma cirurgia de redesignação sexual. “Deram-me uma faca cirúrgica e instruções de como fazê-lo”, afirmou. Blakewell não conseguiu terminar a tarefa, tendo sofrido um ataque de pânico.
Tal como Blakewell, jovens internados estão a tentar fugir do país. Muitas destas pessoas estão “mentalmente destroçadas”, convictas que há algo de errado com elas mesmas.
ONU apelou à proibição das “terapias de conversão”
Em 2020, a ONU apelou à proibição global das “terapias de conversão”, recomendando que os estados-membros:
- Tomem medidas urgentes para proteger as crianças e jovens de práticas de “terapia de conversão”.
- Realizem campanhas para consciencializar figuras parentais, famílias e comunidades sobre a invalidez, ineficácia e os danos causados pelas práticas de “terapia de conversão”.
- Adotar e facilitar serviços de saúde e outros serviços relacionados à exploração, desenvolvimento livre e/ou afirmação da orientação sexual e/ou identidade de género.
- Promover o diálogo com as principais partes interessadas, incluindo organizações profissionais de saúde e medicina, organizações religiosas, instituições educacionais e organizações comunitárias, para aumentar a consciencialização sobre as violações dos Direitos Humanos relacionadas às práticas de “terapia de conversão”.

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