
Nava Mau, nascida na Cidade do México em 1992, é uma atriz trans e ativista que se destacou na série-sensação “Baby Reindeer”. Mas a sua atenção não surge apenas pelo seu talento, mas também pelo seu compromisso por a representação autêntica da comunidade trans.
A sua atuação na série “Genera+ion” (2021) deu-a a conhecer ao mundo. Através da personagem Ana pôde explorar as complexidades das experiências trans através da subversão de estereótipos. “Quando histórias sobre pessoas trans são criadas por pessoas trans, isso abre um mundo de possibilidades”, disse na altura.
Já em 2020, Mau havia surgido no documentário “Disclosure” que abordava a representação das pessoas Trans nos ecrãs da televisão e do cinema. Nava Mau representa assim resistência e esperança para muitas pessoas trans que desejam se ver retratadas de forma respeitosa e realista.
Mesmo fora dos ecrãs, Mau trabalhou nas áreas da justiça e da mudança de cultura com pessoas prestadoras de serviços comunitários, organizações estudantis e sobreviventes de violência.
Nava Mau e o efeito Baby Reindeer
Este ano, Nava Mau é um dos destaques da série da Netflix “Baby Reindeer” que adapta uma peça aclamada do ator e comediante escocês Richard Gadd que aborda violência e abuso sexual. Na série, Mau é Teri, uma psicóloga que namora Donny (Gadd) e se vê confrontada com os seus preconceitos e receios enquanto este luta contra episódio de stalking com outra mulher e de abuso com um mentor.
Parecia muito importante mostrar às pessoas que as mulheres trans existem na vida real e que nos relacionamos com pessoas reais.
Mau também explicou que podia dizer que o papel foi escrito por “alguém que realmente conhecia e amava uma mulher trans e não estava a escrever de um lugar de mera imaginação“.
Sendo Teri uma mulher trans, como é que a sua natureza afeta a sua relação com Donny? Como é que Donny lida com a sua atração? A sua masculinidade? Mas não só, como Teri lida quando a stalker a confronta e lhe diz que parece um homem?
Não são questões fáceis de abordar, especialmente no turbilhão de experiências e emoções, muitas autodestrutivas, que Donny enfrenta. Compreendendo isso, Teri dá-lhe tempo e espaço, mesmo quando começa a sentir-se fragilizada pela falta de ligação (também sexual). No fim, Teri explica-lhe que não pode regressar ao armário e à vergonha e que Donny terá de continuar o seu percurso sem ela.
Gadd confirmou que Teri é baseada numa pessoa real que ele namorou na altura. O autor explicou que ela “era a voz da razão na minha vida naquele momento“, embora tenha confessado que nunca “a tenha ouvido tanto quanto [ele] deveria“.
Mais do que um cliché
Nava Mau explica também a importância de Teri em Baby Reindeer para a comunidade trans. “Ela tem a sua própria vida. Ela não precisava [de Donny]. Acho que ela queria estar com ele, mas está completa por si mesma. E acho que na história, de certa forma, ela é um pilar e então todas essas outras coisas estão a acontecer a seu redor. Então, sim, senti-me empoderada a atuar como Teri. Aprendi muito com ela.“
Nava Mau representa resistência e esperança para muitas pessoas trans que desejam ver-se retratadas de forma respeitosa e realista. A sua trajetória, como atriz e como ativista, reforça a importância da inclusão em todas as facetas da sociedade.

Deixa uma resposta