
A Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto é mais do que uma celebração. É um manifesto de resistência e luta por direitos fundamentais. Este ano, a realização do arraial após a marcha enfrentou desafios significativos devido às exigências monetárias da Polícia de Segurança Pública (PSP), que alegou “ameaças e vulnerabilidades” para justificar custos elevados. 5.359,10 euros foi o valor pedido inicialmente pela PSP, um aumento de 664% face ao valor de 2022 (701,19 euros).
A Comissão Organizadora da Marcha (COMOP) questionou a distinção entre a marcha e o arraial, sublinhando que ambos são manifestações do direito à liberdade de expressão e reunião. A responsabilidade de garantir segurança em eventos como este, especialmente quando se trata de iniciativas voluntárias e sem fins lucrativos, deve ser apoiada por entidades públicas.
Após negociações, os custos foram reduzidos graças à intervenção do Município do Porto, que assumiu grande parte das despesas. Contudo, a questão de fundo persiste para a COMOP: num estado democrático, a proteção das pessoas e a garantia de direitos fundamentais é uma obrigação inalienável do Estado.
A marcha deste ano, que coincide com os 50 anos do 25 de Abril, ocorre num contexto social e político complexo, com o aumento de discursos de ódio e a emergência de ideologias extremistas. Mais de 20 mil pessoas são esperadas para celebrar, mas também para afirmar que a revolução ainda está por cumprir no que toca à igualdade, saúde e educação.
O apelo da COMOP é firme: a resistência e a liberdade nunca devem ser subestimadas, e a responsabilidade social das entidades públicas é crucial para a construção de uma sociedade justa e inclusiva.
A 19.ª edição da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto vai começar neste dia 29 de junho na Praça da República às 15:00 e desembocar às 19:00 no Largo Amor de Perdição. Aí irá decorrer o Arraial + Orgulhoso do Porto, até às 01:00 de domingo.

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