
Moon Girl and Devil Dinosaur, uma série infantil da Marvel, destaca-se pela sua abordagem inclusiva e por apresentar uma diversidade rara na televisão. Contudo, a decisão da Disney em “colocar na gaveta” um episódio centrado numa personagem trans levanta dúvidas sobre o compromisso da marca com a representação LGBTQIA+.
O episódio em questão, “The Gatekeeper”, apresenta Brooklyn, uma colega trans da protagonista Lunella Lafayette (Moon Girl). Esta enfrenta a discriminação de um treinador ao tentar participar num jogo de voleibol escolar. Através de momentos com simbologia trans evidente, como a bandeira trans nas cores do episódio e os adereços de Brooklyn, a história aborda temas de exclusão e resiliência, sublinhando a importância de personagens aliadas no combate ao preconceito.
Moon Girl and Devil Dinosaur parecia representar assim um avanço em narrativas para jovens, destacando valores de aceitação e diversidade. Mas a decisão da Disney de arquivar o episódio levanta uma questão difícil: será que a Disney realmente apoia a inclusão LGBTQIA+, ou apenas o faz quando lhe é conveniente?
Moon Girl and Devil Dinosaur é vítima de uma longa, longa história de incoerência
A história de “The Gatekeeper” não é um caso isolado. A Disney tem um histórico inconsistente na abordagem de temas LGBTQIA+. Em Agatha All Along a personagem Agatha Harkness revelou-se uma bruxa e tornou-se rapidamente num ícone queer. Já em Star Wars, apesar do beijo entre duas mulheres no final de The Rise of Skywalker, a cena foi projetada de forma a ser facilmente removida em mercados como o chinês.
Ao escolher não exibir “The Gatekeeper”, a Disney transmite uma mensagem ambígua sobre o que considera apropriado para crianças. A justificação de “respeito pelas famílias” parece procurar evitar controvérsias políticas. Porém, ao fazê-lo, a empresa ignora as vozes de jovens que se sentem invisíveis e esquecidas quando as suas histórias são sistematicamente silenciadas.
Se a Disney quer realmente afirmar-se como uma marca inclusiva, precisa de mostrar coerência. Moon Girl and Devil Dinosaur tinha a oportunidade de contribuir para a visibilidade trans, mas foi colocada na gaveta. A responsabilidade agora recai sobre a Disney para provar que a inclusão é uma prioridade real, e não apenas um slogan conveniente.

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