
O Reino Unido tornou-se o mais recente país a proibir o acesso a bloqueadores de puberdade para crianças e adolescentes com menos de 18 anos, incluindo trans. Esta decisão, que abrange apenas novos casos, junta-se a medidas semelhantes implementadas por outros países europeus, como Suécia, Dinamarca e França.
Pacientes que já utilizam este tratamento no sistema de saúde público britânico (NHS) ou no setor privado poderão continuar a tê-lo, mas a decisão de restringir futuros tratamentos tem gerado ampla controvérsia.
O que são bloqueadores de puberdade?
Os bloqueadores de puberdade são medicamentos utilizados para atrasar os processos físicos associados à puberdade, como o crescimento de seios, testículos e pelos corporais, ou o aprofundamento da voz. Tradicionalmente, estes medicamentos são prescritos para casos de puberdade precoce, mas também podem ser utilizados para dar tempo a jovens que questionam a sua identidade de género para considerar as suas opções antes de avançarem para tratamentos mais invasivos.
O modelo holandês, que popularizou o uso de bloqueadores de puberdade como parte de um cuidado integral a jovens trans, tem enfrentado críticas nos últimos anos. Estudos iniciais sugeriram melhorias na saúde mental e redução da disforia de género em pacientes que seguiram este protocolo. Contudo, especialistas questionam se os resultados desses estudos se aplicam à população trans atual, além de apontarem a falta de dados a longo prazo.
Joe Brierley, médico do Reino Unido, destacou que o aumento no número de jovens a procurarem clínicas de género, assim como as mudanças sociais, têm pressionado os sistemas de saúde a produzir mais dados e evidências. No entanto, a falta de financiamento para estudos robustos limita o avanço da pesquisa.
Em alguns países, como Dinamarca e Finlândia, a prioridade tem sido oferecer apoio psicológico e serviços de aconselhamento em vez de intervenções médicas. No entanto, muitas associações e especialistas temem que esta abordagem não responda às necessidades reais de todos os jovens trans.
Comunidade trans preocupada com decisão: “Estamos aqui para apoiar-te”
A associação Mermaids, que defende os direitos das pessoas trans no Reino Unido, expressou profunda preocupação com esta proibição. Lauren Stoner, diretora executiva da organização, afirmou que a decisão “ignora completamente as vozes de jovens trans” e que “esta medida aliena ainda mais crianças, jovens e suas famílias”.
A Mermaids também criticou a falta de transparência em relação ao estudo proposto pelo governo e levantou preocupações sobre as suas implicações para os direitos das pessoas trans. Segundo a associação, esta decisão poderá ter consequências graves na saúde mental de jovens que já enfrentam fortes barreiras para aceder a serviços de apoio. “Sabemos que esta decisão teve, e continuará a ter, um tremendo impacto na vida de jovens.”
E remata: “A todas as crianças e jovens trans que nos lêem: não estás só – a juventude trans e de género não conforme sempre existiu e encontrou maneiras de prosperar em toda a sua juventude e idade adulta. Como organização LGBTQ+, estamos aqui para apoiar-te, ouvir as tuas preocupações e não pararemos de defender as tuas necessidades.“

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