
A justiça finalmente proferiu sentenças sobre o caso do homicídio de Samuel Luiz Muñiz, um jovem gay de 24 anos assassinado em julho de 2021 num ataque de ódio em Espanha. Quatro homens foram condenados a penas de prisão que variam entre 12 e 15 anos, num desfecho que marca uma importante resposta judicial a um dos crimes homofóbicos mais chocantes dos últimos anos em Espanha.
Samuel Luiz foi espancado até à morte na madrugada de 3 de julho de 2021, após ser abordado por um grupo de indivíduos que erroneamente assumiram que ele estaria a filmá-los com o telemóvel. Samuel, que estava numa videochamada com uma amiga, tentou explicar a situação, mas foi alvo de insultos homofóbicos e, posteriormente, de uma agressão física violenta que envolveu várias pessoas. O crime gerou uma onda de indignação, levando dezenas de milhares de pessoas a manifestarem-se em diversas cidades espanholas com o mote “Justiça para Samuel“.
As sentenças de um ataque que chocou Espanha e o Mundo
Depois de um processo judicial complexo e longamente acompanhado pelos movimentos LGBTQIA+ e pela sociedade civil, quatro homens foram condenados esta semana pelo homicídio de Samuel Luiz Muñiz. O tribunal reconheceu que o ataque foi motivado por preconceito homofóbico, reforçando a dimensão de ódio do crime. Na quarta-feira, o tribunal condenou três dos homens condenados – Diego Montaña, Alejandro Freire e Kaio Amaral – a 24 anos, 20 anos e 20 anos e seis meses pelas suas participações no assassinato. Um quarto homem, Alejandro Míguez, que não bateu em Luiz, recebeu uma sentença de 10 anos por ser cúmplice.
A juíza Elena Fernanda Pastor Novo observou que Montaña mostrou “uma absoluta falta de empatia e uma crueldade que justifica uma sentença mais severa”. Ela também levou em conta o comportamento dos assassinos imediatamente após o ataque e o facto de que Luiz havia sido deixado “inconsciente e com um rosto ensanguentado no meio de uma rotunda”.
O homicídio de Samuel tornou-se um símbolo da luta contra a homofobia em Espanha, expondo o preconceito e a violência que persistem contra a comunidade LGBTQIA+. Na época, várias organizações alertaram para o aumento de ataques motivados por ódio no país e para a necessidade de medidas mais contundentes no combate à discriminação.
Com o desfecho judicial, ativistas destacam que a condenação é um passo importante, mas reforçam que o trabalho de prevenção da violência homofóbica precisa continuar.

Deixa uma resposta