
No dia 27 de julho de 2025, Kendrick Lamar e SZA vão subir ao palco do Estádio do Restelo, em Lisboa, como parte da Grand National Tour. Este concerto representa não apenas um dos eventos musicais mais aguardados do ano, mas também uma oportunidade para refletir sobre a forma como Lamar tem abordado temas de identidade e inclusão na sua música.
Kendrick Lamar, um dos rappers mais influentes da atualidade e vencedor de um Pulitzer em 2018, é conhecido por abordar temas sociais complexos, desde racismo a desigualdade e identidade de género. Em 2022, com o lançamento do álbum Mr. Morale & The Big Steppers, a canção Auntie Diaries destacou-se por trazer uma narrativa rara no hip-hop: a aceitação de familiares trans.
O crescimento de Kendrick Lamar com Auntie Diaries
Auntie Diaries é uma reflexão pessoal de Kendrick Lamar sobre o seu crescimento em relação à identidade de género de duas pessoas familiares: um tio trans (referido como “auntie” devido à perspetiva do jovem Kendrick) e uma prima trans. Ele descreve a homofobia e transfobia que familiares enfrentaram e o seu próprio crescimento pessoal.
A letra é uma reflexão honesta sobre a evolução de Lamar, desde a infância até à aceitação e apoio incondicional. O rapper narra o impacto dessas transições na sua vida e o preconceito que o tio e prima enfrentaram, ao mesmo tempo que reconhece a sua própria evolução e desconstrução de ideias.
Lamar menciona também um episódio do seu concerto em 2018, onde impediu uma fã branca de cantar um insulto racial, estabelecendo um paralelo entre o impacto da linguagem ofensiva para diferentes comunidades.
Críticas e impacto de Auntie Diaries
Auntie Diaries recebeu elogios pela sua coragem e mensagem de aceitação, mas também gerou críticas. Enquanto algumas pessoas trans consideraram a canção um passo importante para a representação no hip-hop, outras apontaram falhas na forma como Lamar utilizou linguagem transfóbica e deadnaming (uso do nome antigo de uma pessoa trans). O debate gerado mostrou que, embora o artista tenha demonstrado crescimento, a sua abordagem ainda reflete a complexidade do discurso sobre identidade de género na cultura popular.
Esta é uma canção parte do ponto de vista de um jovem Lamar, ainda inundado com questões e fobias internalizadas, até ao seu crescimento e aceitação das pessoas que o rodeiam. A canção culmina com Lamar a confrontar um pastor sobre a aceitação e o amor ao próximo, questionando as leis da terra versus as leis do coração. Este momento é visto como um ponto alto da canção, mostrando a evolução de Lamar e o impacto positivo que a aceitação pode ter nas famílias.
Assim, e apesar das críticas, Auntie Diaries representa um momento raro no hip-hop, um género historicamente associado a discursos heteronormativos. Kendrick Lamar usa a sua plataforma para desafiar normas e provocar conversas sobre aceitação e evolução pessoal. Em tempos onde a legislação anti-LGBTQ+ avança em vários estados dos EUA, a mensagem de Lamar ressoa ainda mais fortemente.
A importância da vinda de Kendrick Lamar e SZA a Lisboa
A presença de Kendrick Lamar e SZA em Lisboa não é apenas um marco musical, mas também um reflexo da crescente diversidade e representatividade na indústria da música. SZA, reconhecida pelo seu trabalho na neo-soul e R&B, também tem sido uma voz dentro da comunidade LGBTQIA+.
Com um alinhamento que promete incluir sucessos como HUMBLE., All The Stars e Good Days, este concerto será uma oportunidade para celebrar a arte e a inclusão.
Os bilhetes estarão disponíveis a partir de sexta-feira, dia 14 de fevereiro, no site oficial da digressão. A expectativa é alta para um espetáculo que, além de musicalmente impactante, carrega consigo uma mensagem de mudança e aceitação.

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