
“O nosso orgulho são os direitos humanos!” É assim que termina o comunicado de um grupo de associações e coletivos intitulado “No Pride In Genocide”. No comunicado, mais de 40 entidades denunciam as ligações do EuroPride 2025 e dos seus organizadores ao pinkwashing do apartheid israelita. O documento expressa preocupações com a transparência e a gestão do evento, bem como com a instrumentalização da causa LGBTI+ para fins políticos.
O comunicado destaca a nomeação de Diogo Vieira da Silva como suposto “comissário municipal” do EuroPride 2025, considerando-a “não inocente nem acidental“. Vieira da Silva fundou a Variações (Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal) em 2018 e liderou a organização até janeiro de 2024, quando foi destituído após denúncias de corrupção.
Além disso, exerceu funções como chefe de imprensa da Embaixada de Israel em Lisboa, facilitando a aproximação entre a Variações e a diplomacia israelita. Um dos exemplos mencionados no comunicado é a organização da “Israeli Pride Party” no Finalmente Club em junho de 2023, evento que foi alvo de protestos contra o pinkwashing. “Na altura e à porta do evento, denunciámos o pinkwashing do estado israelita“, afirma o comunicado.
Envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa
As associações denunciam também a proximidade entre o EuroPride 2025 e figuras políticas ligadas ao apoio a Israel. Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, supostamente, nomeou Diogo Vieira da Silva para a organização do evento, mas, quando questionado sobre essa escolha, remeteu a responsabilidade para Diogo Moura, vereador da Cultura e ex-membro da Associação Lusa Portugueses por Israel (ALPI), um grupo de lobby, segundo as entidades assinantes, sionista.
O comunicado refere ainda a participação de Carlos Moedas na festa de despedida do embaixador israelita Dor Shapira em julho de 2024, apontando este gesto como um apoio claro à ocupação e ao genocídio na Palestina. “Carlos Moedas manifestou o seu apoio pessoal e político à ocupação e ao genocídio“, acusam as organizações subscritoras.
Exigências e compromisso com os direitos humanos
As entidades rejeitam que o EuroPride 2025 sirva para branquear crimes contra a humanidade e exigem um compromisso inequívoco de que o evento não será usado para normalizar violações de direitos humanos. “Não aceitaremos por isso que o EuroPride 2025 se transforme em mais uma plataforma de pinkwashing político e rejeitamos qualquer tentativa de branqueamento ou normalização com quem pratica violações de direitos humanos“, sublinham.
“Os direitos humanos são universais e indivisíveis“, reafirma o documento, destacando a tradição dos movimentos LGBTI+ em Portugal de enquadrarem a sua luta na defesa dos direitos humanos. O comunicado termina com uma exigência clara: “À organização do EuroPride 2025, exigimos um compromisso inequívoco de que o evento não servirá para branquear violações de direitos humanos nem crimes contra a humanidade, quem os comete ou quem com eles compactua“.
Entretanto, o Turismo de Portugal avançou com uma auditoria às contas da Variações, depois de investigação jornalística ter revelado irregularidades na gestão dos fundos atribuídos pelo Estado a esta associação e no valor de 500.000 euros.
Subscrevem o comunicado*:
- Ação Pela Identidade – API
- Algarve pela Palestina
- As DEsaFiantes
- Associação Cultural Mina
- Braga Fora do Armário
- CIVITAS Braga
- Climáximo
- Coimbra pela Palestina
- Coletivo pela Libertação da Palestina
- Comité de Solidariedade com a Palestina
- Curvs
- CVI – Centro de Vida Independente
- Estudantes do IPP pela Palestina
- Estudantes do Porto em Defesa da Palestina
- Estudantes pela Palestina ISCTE
- Estudantes pela Palestina U. Minho
- Estudantes por Justiça na Palestina FCSH
- Gentopia – Associação para a Diversidade e Igualdade de Género
- Greve Climática Estudantil
- Health Workers for Palestine – Portugal
- Humans Before Borders (HuBB)
- Inquieta-te FCSH
- Judeus pela Paz e Justiça
- Livraria das Insurgentes
- Marcha do Orgulho do Porto (MOP)
- Marcha do Orgulho LGBTQIAP+ de Santarém
- Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM)
- Núcleo da Olho Vivo de Viseu
- Opus Diversidades
- Palestina Livre Ilha Terceira
- Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia
- Parents for Peace
- Planeta Manas
- Plataforma Anti-Transfobia e Homofobia de Coimbra
- Plataforma Já Marchavas (Viseu)
- Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina (PUSP)
- Polyportugal
- Queer IST
- Rede 8 de Março
- Rede Afrolink
- República do Kuarenta
- Sintra Friendly – Colectivo Juvenil LGBTIQA+ de Sintra e Apoiantes
- SOS Racismo
- STOP Despejos
- UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta
*lista de subscrições atualizada a 8 de março de 2025

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