
No próximo dia 24 de maio, a Covilhã recebe a 4ª Marcha pelos Direitos LGBTQIAP+. Um evento organizado de forma horizontal, autónoma e comunitária, que afirma com orgulho: o interior também é território queer.
A marcha começa às 15h, na Rotunda do Rato junto à Universidade da Beira Interior, e segue até ao Jardim Público, com paragem no Largo do Pelourinho para leitura do manifesto. Pela primeira vez, o percurso culmina num Arraial da Diversidade, um espaço livre, seguro e celebrativo — onde existir, dançar e resistir com orgulho.
Manifesto: Marchar no interior é resistir
Num contexto político cada vez mais hostil às pessoas LGBTQIAP+, esta marcha assume-se como um ato político e de amor. Reivindica o direito a uma vida digna, visível e segura fora dos grandes centros urbanos. “Marchamos porque não aceitamos a invisibilização”, lê-se no manifesto.
O documento alerta para a ascensão de discursos de ódio, o desinvestimento em políticas públicas e o silenciamento das ameaças da extrema-direita. Critica, por exemplo, a omissão deliberada destas forças no último Relatório Anual de Segurança Interna, considerando que “o silêncio oficial diante do perigo não é neutralidade: é cumplicidade”.
Justiça social, ambiental e interseccionalidade
A Marcha da Covilhã reafirma a urgência de uma abordagem interseccional. Defende a implementação concreta do Plano Municipal para a Igualdade, incluindo uma bolsa de habitação de emergência para pessoas trans, formação de profissionais de saúde e ações educativas nas escolas.
Denuncia ainda o acesso desigual à saúde, à habitação e à segurança, particularmente no interior do país. “Os cuidados de saúde para pessoas trans são urgentes e salvam vidas”, recorda o manifesto.
A luta LGBTQIAP+ é também solidária com outras causas: a justiça climática, os direitos das pessoas migrantes e a autodeterminação dos povos, com uma referência clara ao apoio à Palestina. Rejeita o extrativismo, o racismo, o colonialismo e a exploração dos territórios.
Redes sociais: novas formas de vigilância
Outro dos focos do manifesto é a crescente violência digital. Critica a impunidade dos discursos de ódio online e a forma como plataformas são usadas para vigiar e punir pessoas LGBTQIAP+, traçando paralelos inquietantes com o passado repressivo do Estado Novo.
A solução, defendem, passa por uma regulação democrática das redes — que proteja direitos fundamentais sem abrir espaço a novas formas de censura ou controlo autoritário.
Celebrar também é lutar
A organização lançou também um crowdfunding para cobrir custos logísticos e artísticos. O apelo é simples: se não puderes doar, ajuda a divulgar. Porque cada gesto conta na construção de espaços seguros e transformadores.
A Marcha do Orgulho LGBTQIAP+ da Covilhã é um momento para relembrar que a democracia ou é para todas as pessoas, ou não é real democracia. Marchar aqui é existir, resistir e imaginar futuros onde ninguém fique para trás.


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