
As autoridades brasileiras impediram um ataque terrorista durante o concerto gratuito de Lady Gaga na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no passado 4 de maio. O evento reuniu cerca de 2,5 milhões de pessoas, tornando-se um dos maiores espetáculos da carreira da artista — e um potencial alvo para o ódio.
A operação policial, apelidada de “Operação Fake Monster“, foi desencadeada após uma denúncia à inteligência da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo dos suspeitos seria atacar com explosivos improvisados e cocktails molotov, tendo recrutado inclusive menores para executar os planos.
Segundo Felipe Cury, secretário da polícia do estado do Rio, os ataques visavam, entre outras motivações, a comunidade LGBTQ+. A escolha de um concerto de Lady Gaga, ícone queer mundial, não terá sido acidental.
“Ritual satânico” em pleno concerto de Lady Gaga travado pela polícia
A situação ganhou contornos ainda mais sinistros com a revelação de que um dos suspeitos planeava realizar um “ritual satânico” que incluía o homicídio de uma criança ou bebé durante o concerto. Segundo a CNN, este suspeito acreditava que Gaga seria uma satanista e queria “responder da mesma forma“. Foi detido e acusado de terrorismo e incitamento ao crime.
No total, três pessoas foram detidas, e foram realizadas buscas nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo. Um dos detidos estava em posse ilegal de uma arma de fogo.
Com Madonna e Lady Gaga, Copacabana é hoje epicentro da celebração queer mundial
Este concerto de Gaga, intitulado Mayhem on the Beach, seguiu-se ao histórico encerramento da digressão Celebration Tour de Madonna em 2024, que também encheu a praia de Copacabana. Ambos os espetáculos tornaram-se momentos de celebração queer e resistência cultural no espaço público brasileiro.
Lady Gaga, nome artístico de Stefani Germanotta, é cantora, compositora e atriz. Tornou-se um fenómeno global com temas como Born This Way, que se tornaram hinos LGBTQ+, e é conhecida pelo seu ativismo em prol dos direitos humanos, incluindo a fundação da Born This Way Foundation.
Este caso reflete a escalada de discursos de ódio e teorias da conspiração extremistas que têm associado ao longo das décadas artistas queer e as suas comunidades a práticas demoníacas. É um eco perigoso de narrativas promovidas por setores conservadores e religiosos para desumanizar pessoas LGBTQ+.
Lady Gaga permanece em digressão com The MAYHEM Ball, que chegará à Europa em setembro, com paragens em Londres, Estocolmo, Milão, Barcelona, Berlim, Lyon e Paris.

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