
Lisboa acolhe, pela primeira vez, o EuroPride — o maior evento europeu de celebração e defesa dos direitos das pessoas LGBTI+. De 14 a 22 de junho, a cidade será palco de uma programação com música, arte, ativismo e uma parada que promete ser histórica.
Cultura e política de mãos dadas
Com atividades em locais emblemáticos como o Terreiro do Paço, Cinema São Jorge e Palácio das Galveias, o EuroPride 2025 apresenta concertos, festas, exposições e uma Conferência de Direitos Humanos com nomes como Miguel Vale de Almeida, Inês Narciso e representantes da Comissão Europeia. Nesta conferência, a decorrer nos dias 19 e 20 de junho no Cinema São Jorge e no Parlamento Europeu, serão debatidos temas como a defesa dos direitos humanos e a igualdade LGBTI+; a saúde mental das minorias; o combate à desinformação; os Direitos LGBTI+ e Turismo; e o desporto inclusivo.
A música será um dos grandes motores do evento, com atuações de artistas como Corona, Rozalla, Black Mamba, Melody, e um tributo especial à Eurovisão com Manuela Bravo, Nucha e Suzy.

De notar que a programação detalhada do EuroPride 2025 foi divulgada apenas a poucos dias do início do evento, o que gerou críticas por parte da comunidade e de potenciais participantes internacionais. A falta de antecedência na divulgação terá dificultado o planeamento de deslocações e a participação plena de muitas pessoas interessadas.
Um momento político importante
A organização afirma que “os direitos LGBTI+ enfrentam hoje um risco real de retrocesso”, reforçando o papel do evento enquanto espaço de resistência e solidariedade num contexto político europeu e nacional marcado por avanços e recuos.
“Num momento como este, acreditamos que é mais urgente do que nunca reforçar a união, a solidariedade e a visibilidade da nossa luta“, remata.
As vozes que continuam por ouvir
Apesar da grandiosidade da programação, é impossível ignorar as críticas vindas da própria comunidade LGBTI+. Desde o anúncio da candidatura de Lisboa ao EuroPride, têm surgido preocupações sobre a falta de representatividade e transparência no processo organizativo.
A ILGA Portugal anunciou a sua saída da organização do EuroPride 2025, alegando que a organização de um evento com esta dimensão é incompatível com a limitação de recursos da associação, colocando em risco a sustentabilidade e a estrutura da ILGA Portugal e, assim, comprometendo a qualidade dos seus serviços para com a comunidade.
A rede ex aequo e a AMPLOS também cessaram a sua participação na organização do evento, mantendo-se apenas a associação Variações como entidade organizadora.
Entretanto, Diogo Vieira da Silva, ex-presidente da associação Variações, encontra-se sob investigação do Ministério Público por suspeitas de desvio de dinheiro, abuso de confiança e burla que remontam a 2023, segundo investigação da RTP. O Turismo de Portugal avançou igualmente com uma auditoria às contas da Variações, após a investigação jornalística ter revelado irregularidades na gestão dos fundos atribuídos pelo Estado a esta associação.
Estas questões levantam preocupações legítimas sobre a integridade e representatividade do EuroPride 2025, exigindo uma reflexão profunda sobre a forma como eventos desta magnitude são organizados e quem realmente representam.
Celebração, sim, mas com consciência
O EuroPride 2025 é uma oportunidade única de visibilidade, mobilização e reivindicação, mas também um momento de reflexão interna. O Orgulho não é neutro nem homogéneo — e Lisboa tem a responsabilidade de fazer desta celebração uma verdadeira afirmação das vozes das suas diversas comunidades.
A entrada nas atividades é gratuita, mediante registo no site oficial: europride2025.pt.

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