
O US Open 2025, que decorre em Nova Iorque, marca mais uma edição de um dos maiores torneios do ténis mundial. Este ano, contudo, há uma presença especial fora dos courts: Brian Vahaly, presidente e chairman da USTA (Associação de Ténis dos Estados Unidos), é o primeiro homem assumidamente gay a liderar a instituição.
Antigo profissional, Vahaly chegou a número 64 do ranking ATP em 2003, tendo derrotado vários jogadores do top 10. Uma lesão no ombro acabaria por encurtar a sua carreira, mas abriu caminho a uma nova etapa, agora fora dos courts. Licenciado em finanças e gestão, tornou-se conselheiro sénior em investimentos e, ao mesmo tempo, envolveu-se cada vez mais com a USTA, onde começou como voluntário ainda adolescente.
Brian Vahaly: De atleta a líder inclusivo

O percurso de Vahaly é marcado por coragem e resiliência. Cresceu num ambiente conservador e religioso, o que atrasou a aceitação da sua sexualidade. Durante anos, viveu com sentimentos de isolamento e chegou a frequentar sessões de “práticas de conversão”. Como confessou:
“Acabei por acreditar que havia algo de errado comigo. Perdi anos a lutar contra quem sou.”
Foi já depois de se retirar do circuito que se assumiu publicamente, em 2017. Desde então, construiu a vida que sempre quis: casou-se em 2015 com Bill Jones e é pai de gémeos, Parker e Bennett.
Enquanto líder da USTA, Vahaly tem colocado a inclusão no centro das prioridades. A associação tem investido em projetos comunitários, desde a melhoria de courts públicos até ao apoio a organizações como a Trevor Project, que atua na área da saúde mental de jovens LGBTQ+.
“O nosso objetivo é servir todas as comunidades e garantir que o ténis é um desporto acessível e acolhedor.”
O US Open com orgulho
Este ano o torneio organiza a quinta edição do US Open Pride, com brunch, celebrações e eventos em torno da diversidade. Para Vahaly, trata-se de mostrar que “o ténis pode ser o desporto mais inclusivo de todos”.
A organização também estreia uma nova abordagem às duplas mistas: os melhores atletas do mundo vão competir por um título do Grand Slam e um prémio de 1 milhão de dólares, num esforço de valorizar esta vertente.
Inclusão além-fronteiras

A presença de Brian Vahaly no topo do ténis dos EUA é um marco, mas não é caso isolado. O torneio contará também com a participação de Daria Kasatkina, estrela russa que se assumiu lésbica em 2022 e que, este ano, competirá pela Austrália. “Se quero ser eu mesma, tenho de dar este passo”, afirmou sobre a mudança de nacionalidade.
Kasatkina e Vahaly partilham uma luta comum: desafiar o preconceito num desporto ainda marcado pela invisibilidade LGBTQ+, sobretudo no circuito masculino. Enquanto nomes como Billie Jean King e Martina Navratilova abriram caminho no ténis feminino, os exemplos entre homens continuam raros.
Um exemplo necessário
Brian Vahaly assume-se hoje não apenas como ex-tenista, mas como marido, pai e líder. Ao contar a sua história, pretende dar esperança a outras pessoas que se sintam sozinhas no desporto ou fora dele:
“O que me motivou a assumir-me foi mostrar a vida que o meu eu mais jovem nunca viu, mas sempre quis: amor, filhos e o ténis.”
No US Open 2025, para além das bolas e raquetes, joga-se também algo maior: a possibilidade de o ténis ser um verdadeiro espaço de inclusão.
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