As editoras portuguesas têm trazido cada vez mais pluralidade de histórias, com a merecida representação e sensibilização. Exemplos não faltam: desde populares como Heartstopper, que deu origem a uma adaptação na Netflix, até O Verão em que Hikaru Morreu, anime recentemente estreado na mesma plataforma e criticado pela suavização face ao material original. Este último chegou ao mercado editorial português em agosto, pela Presença.
Foi neste cenário de maior abertura e variedade que, em março deste ano, a Secret Society (Penguin) publicou Os Normais. Escrita por Janine Janssen e ilustrada por S. Al Sabado, esta obra é um abraço caloroso e significativo, onde a diferença está presente em cada recanto do mundo criado.
A banda desenhada mais bonita que li
A minha biblioteca de banda desenhada não é vasta e, até há três anos, este era um género que praticamente ignorava. No entanto, o impulso que Heartstopper deu ao mercado e à visibilidade destas histórias fez-me querer explorar mais, e foi com deleite que desfrutei das ilustrações lindíssimas de Os Normais. Ricas em cor e vida, transportam-nos para Paris, onde o paranormal convive com o mundo real.

O protagonista, um ser mágico, enfrenta dificuldades na relação com os pais e decide mudar-se para a cidade, ficando perto da sua tia, alguém que o aceita plenamente. Mas a vida não se resume a aulas e novos amigos: ele conhece um rapaz vampiro, que por acaso é seu vizinho. Entre incerteza, solidão e um toque sobrenatural, a narrativa envolve-nos com personagens cativantes e bem construídas. A obra destaca-se não só pelos alicerces narrativos e pela construção de mundo, mas também pela provocação implícita no próprio título. O início, contudo, pode ser intenso para alguns leitores, sendo uma típica narrativa in media res que nos leva a questionar que livro temos nas mãos, mas vale a pena seguir. Consegue ainda abordar temas delicados de forma ternurenta e adulta — algo que, por vezes, senti faltar em Heartstopper.
Naturalmente, sendo uma banda desenhada (e passada em Paris — já disse isto, não já? Desculpem, estou demasiado entusiasmado!), lê-se rapidamente, mas deixa portas abertas a novos volumes. E esse é o meu desejo: se já temos uma sequela confirmada, quem sabe não chegam mais cinquenta? Brincadeiras à parte, a continuação será lançada no mercado original, França, em janeiro de 2026.
Aqui em Portugal fica um leitor que, apesar de só ter aprendido francês no Duolingo (mesmo com uma vasta família no país francês), irá recordar-se das ilustrações ricas e cheias de cor de Os Normais e de como estas o transportaram, não apenas para as suas viagens à capital francesa, mas também para um imaginário onde amizade, família e amor queer se entrelaçam.
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