
De 1 a 10 de novembro, o Barreiro volta a transformar-se num ponto de encontro entre artistas, público e ideias com a nova edição do Festival Entre Olhares. Este ano, o festival dá um passo importante ao inaugurar secções competitivas de longas e curtas-metragens, distinguindo as obras com a Garça de Ouro.
Mais do que um evento cinematográfico, o Entre Olhares afirma-se como um espaço de diálogo com a realidade, onde se cruzam temas como a identidade, a resistência e a memória. Entre documentários, ficções, animações e experiências visuais, o festival mantém a sua essência plural, valorizando olhares que questionam e reinventam o mundo.
Entre as dezenas de títulos em competição, três filmes destacam-se pela sua força queer e pela forma como abordam o corpo, o desejo e o deslocamento:
Quem Se Move, de Stephanie Ricci
(Ficção / 20′ / Portugal / 2025)
8 NOV SÁB / 17h10 – Castello Lopes Cinemas – Forum Barreiro
Uma noite em Lisboa é atravessada pela intensidade de René, uma jovem brasileira precária que tenta encontrar-se numa cidade que tanto acolhe como isola. Entre festas queer, amor, rejeição e solidão, o filme desenha um retrato sensível de quem vive entre fronteiras — entre dois continentes, dois corpos, dois pertencimentos.
Com uma câmara próxima e pulsante, Stephanie Ricci filma Lisboa como um corpo em movimento, captando os fluxos de quem procura sentido na noite e no desejo. Quem Se Move é, no fundo, um retrato poético da liberdade e da vulnerabilidade queer contemporânea.
Crua+Porosa, de Ágata de Pinho
4 NOV TER / 21h30 – Cine Clube do Barreiro
Ficção, Experimental / 20′ / Portugal / 2025
Em registo sensorial e visceral, Crua+Porosa mergulha numa história de amor obsessivo, onde o humano e o orgânico se confundem.
Ágata de Pinho cria um universo entre o sonho e o delírio, um espaço onde o desejo se torna matéria viva, onde tudo é corpo, textura e intensidade.
A realizadora, também atriz, constrói uma entropia visual e emocional que questiona as fronteiras do amor e da identidade, propondo uma experiência queer que desafia a lógica e entrega-se ao instinto.
Explode São Paulo, Gil, de Maria Clara Escobar
Documentário / 97′ / Brasil, Portugal / 2025
8 NOV SÁB / 21h30 – Castello Lopes Cinemas – Forum Barreiro
Gil, de 50 anos, sempre sonhou ser cantora. Mudou-se para São Paulo com a esposa aos 20 anos, mas a vida obrigou-a a trabalhar como empregada de limpeza. Ao aceitar tornar-se protagonista do filme de Maria Clara Escobar, Gil mergulha entre sonhos adiados e a explosão de uma nova visibilidade.
Com obras assim, o Entre Olhares 2025 reafirma o seu compromisso com um cinema diverso, inquieto e profundamente humano — um cinema que não teme o risco, que olha e se deixa olhar. Confere toda a programação no site do festival e não percas!

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