
“Nós tínhamos apitos. Eles tinham armas.” A frase, curta e devastadora, atravessa todo o comunicado de Becca Good sobre o assassínio da sua mulher, Renee Nicole Good, por um agente do Immigration and Customs Enforcement, em Minneapolis.
No texto enviado à Minnesota Public Radio, Becca descreve Renee como alguém impossível de ignorar. “A Renee brilhava. Literalmente brilhava”, escreve. “Não usava purpurinas, mas juro que tinha brilhos a sair-lhe dos poros. O tempo todo.”
A imagem não é apenas íntima. Becca sublinha que não era só o seu olhar de companheira. “Podem pensar que é apenas o meu amor a falar, mas a família dela dizia o mesmo. A Renee era feita de sol.”
O comunicado insiste na centralidade da bondade na vida de Renee. “A Renee vivia segundo uma crença maior: existe bondade no mundo e precisamos de fazer tudo para a encontrar onde ela existe e para a nutrir onde precisa de crescer.” Cristã, acreditava que todas as religiões partilham o mesmo princípio essencial. “Estamos aqui para amar, cuidar umas das outras e manter todas as pessoas seguras e inteiras.”
O casal mudara-se para Minneapolis à procura de uma vida familiar melhor
O casal tinha-se mudado recentemente para Minneapolis, em Minneapolis, em busca de uma vida melhor. “Como tantas pessoas ao longo do tempo, mudámo-nos para construir uma vida melhor”, escreve Becca. “Durante toda a viagem, fomos de mãos dadas, enquanto o nosso filho desenhava nos vidros do carro.”
Em Minneapolis, encontraram comunidade. “O que encontrámos foi um lugar vibrante e acolhedor. Fizemos amizades e espalhámos alegria.” Pela primeira vez, Becca sentiu-se segura. “Aqui, tinha finalmente encontrado paz e porto seguro. Isso foi-me tirado para sempre.”
A educação do filho estava no centro dessa vida. “Estávamos a criar o nosso filho para acreditar que, independentemente de onde vens ou de como pareces, todas as pessoas merecem compaixão e bondade.” E acrescenta: “A Renee vivia esta crença todos os dias. Ela é amor puro. É alegria pura. É sol puro.”
Becca fica agora com a guarda da família Good
Sobre o trágico dia do assassinato, Becca escreve apenas uma frase. “Na quarta-feira, 7 de janeiro, parámos para apoiar as pessoas nossas vizinhas. Nós tínhamos apitos. Eles tinham armas.”
Renee deixa três filhos. O mais novo tem seis anos. “Já perdeu o pai e agora perdeu a mãe”, lembra Becca, que assume agora a responsabilidade de continuar esse caminho. “Tenho de ensinar ao nosso filho que há pessoas a construir um mundo melhor para ele.”
O comunicado termina com um apelo claro, dirigido a quem acompanha o caso. “Honramos a memória da Renee vivendo os seus valores: rejeitar o ódio e escolher a compaixão, afastar-nos do medo e procurar a paz.”
E conclui: “Precisamos de nos unir para construir um mundo onde todas as pessoas possam voltar para casa em segurança, para quem amam.”
Desde o homicídio, registaram-se vigílias e protestos contra o ICE em várias cidades. A administração de Donald Trump classificou Renee e Becca como “agitadoras profissionais”, sem apresentar provas. Perante isso, as palavras de Becca permanecem como acusação moral e memória viva.
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