
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, apresentam um número recorde de 43 atletas LGBTQ+.
Entre essas histórias destaca-se a da atleta brasileira Nicole Silveira, uma das figuras centrais do skeleton mundial. A sua presença tem particular relevância para o público brasileiro, num desporto historicamente distante do país.
Silveira chega aos Jogos num percurso de consolidação. Terminou a última época do Campeonato do Mundo em nono lugar, depois de um sexto lugar no ano anterior. Em ambas as temporadas conquistou pelo menos uma medalha de bronze. Estes resultados colocam-na na disputa por finais olímpicas e por um resultado histórico para o Brasil.
A narrativa ganha outra dimensão porque Silveira competirá diretamente com a sua esposa, Kim Meylemans, representante da Bélgica. Meylemans vive a melhor fase da carreira. Nesta temporada subiu ao pódio em seis das sete provas do Campeonato do Mundo, com três medalhas de ouro, terminando no primeiro lugar do ranking geral.
“Ninguém percebe realmente o quanto precisei que ela estivesse comigo.”
Esse sucesso foi publicamente associado ao apoio de Silveira. Numa publicação no Instagram, a atleta brasileira destacou o papel da equipa e, em particular, da relação entre ambas: “Esta equipa aqui é algo verdadeiramente especial e uma parte muito importante deste sucesso — não teria alcançado este objetivo sem elas, especialmente sem a minha mulher.” Silveira acrescentou ainda: “Acho que ninguém percebe realmente o quanto precisei que ela estivesse comigo, a empurrar-me e a apoiar-me, para conseguir isto.”
A relação entre as duas atletas não é nova no circuito olímpico. Já competiam estando juntas nos Jogos anteriores, mas agora fazem-no enquanto casal casado. O casamento realizou-se em janeiro, em Calgary, depois de um noivado em 2024. Ambas reconheceram publicamente o significado de competir como casal num país onde o atual governo tem aprovado medidas que afetam negativamente as pessoas LGBTQ+.
O skeleton, disputado em Cortina d’Ampezzo, transforma-se assim num espaço de afirmação. Não apenas de excelência desportiva, mas de existência pública. Em 2025, Meylemans e Silveira já tinham partilhado o pódio na mesma prova do Campeonato do Mundo, em St. Moritz, um momento raro e carregado de significado.
Jogos Olímpicos de Inverno com número recorde de atletas LGBTQ+
Este percurso insere-se num movimento mais amplo. Segundo a Outsports, os Jogos de Milão-Cortina contarão com o maior número de atletas LGBTQ+ de sempre nos Jogos de Inverno. Os 43 nomes contabilizados até ao momento representam visibilidade num espaço onde, durante décadas, o silêncio foi imposto.
Para o Brasil, Nicole Silveira representa mais do que resultados. Representa a possibilidade de imaginar o desporto de alto rendimento como um espaço onde identidade, afeto e excelência coexistem.
Os Jogos Olímpicos de Inverno 2026 decorrem entre 6 e 22 de fevereiro.
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