
Um tribunal russo considerou que a partilha de uma imagem da banda Queen, em drag, constitui violação das leis de “propaganda LGBT+”. A decisão envolve um homem de 22 anos, residente em Moscovo, condenado por conteúdos publicados online.
Segundo a Novaya Gazeta Europe, o caso só ganhou detalhe público quando o jovem recorreu da sentença. A imagem em causa era um fotograma do videoclipe de I Want To Break Free (em cima), lançado em 1984 pelos Queen, onde os membros da banda surgem vestidos como mulheres.
Na defesa, o arguido afirmou tratar-se apenas de uma imagem de uma banda amplamente conhecida, num contexto artístico e musical. O tribunal rejeitou o argumento e sustentou que a imagem não podia ser interpretada isoladamente como cultura musical.
A decisão sublinha que o jovem também tinha partilhado fotografias de homens a beijarem-se e de homens com roupa associada ao género feminino. Segundo o acórdão, estes conteúdos “avaliam positivamente relações sexuais não tradicionais como naturais” e “distorcem a compreensão das relações entre homens e mulheres, minando os valores familiares”.
O tribunal afirmou ainda que a imagem dos Queen “não pode ser interpretada em contexto musical face ao significado global da informação divulgada”.
O recurso foi recusado, mantendo-se a condenação.
Além deste caso, o homem foi também considerado culpado por partilhar material proibido, incluindo uma bandeira do Exército Insurgente Ucraniano.
Por esse motivo, recebeu uma pena adicional de dez dias de detenção administrativa.
I Want To Break Free polémico desde 1984
Quando foi lançado, o videoclipe de I Want To Break Free também gerou polémica fora do contexto russo. A MTV nos Estados Unidos recusou inicialmente exibi-lo, receando reações negativas no chamado “Middle America”.
O guitarrista Brian May afirmou mais tarde que esta decisão prejudicou seriamente o sucesso da banda no mercado estadunidense. Já no Reino Unido, a receção foi bastante diferente, sendo reconhecida a paródia a personagens da série Coronation Street.
Este episódio insere-se num contexto mais amplo de repressão contra pessoas LGBT+ na Rússia, verificando-se um aumento de processos baseados nas leis contra a “propaganda LGBT”, em vigor desde 2013.
Só na primeira metade de 2025, foram registados 104 processos, resultando em multas que totalizam 20,7 milhões de rublos (228 mil euros). As condenações incluem casos de streaming de filmes com personagens LGBT+, uso de maquilhagem por homens ou simples presença em bares e clubes queer.
As consequências podem ser graves e irreversíveis. Em 2024, ativistas denunciaram o caso de Andrei Kotov, um gestor da agência Men Travel que foi acusado de organizar viagens para homens gays.
Kotov negou as acusações, mas relatou agressões policiais após a detenção.
Acabaria por morrer por suicídio enquanto aguardava julgamento, tornando-se um símbolo trágico da escalada repressiva em curso.
Num tempo em que uma imagem de um videoclipe de 1984 é tratada como ameaça social, talvez o gesto mais simples e esclarecedor seja regressar à própria obra.
Ver I Want To Break Free hoje é perceber como a liberdade, o humor e a subversão sempre fizeram parte da cultura popular e como continuam a incomodar regimes que temem qualquer forma de diferença. Vê, ou revê, o icónico vídeo:
Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal
Linha LGBTI+ da ILGA Portugal
Quintas e sábados, das 20h às 23h
218 873 922
969 239 229
SOS Voz Amiga
(entre as 15h30 e as 00h30)
213 544 545
912 802 669
963 524 660
Linha de Prevenção do Suicídio
1411
Telefone da Amizade
(16h-23h)
228 323 535
jo@telefone-amizade.pt
Escutar – Voz de Apoio – Gaia
(21h-24h)
225 506 070
SOS Estudante
(20h00 à 1h00)
969 554 545
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239 484 020
Vozes Amigas de Esperança
(20h00 às 23h00)
222 080 707
Centro Internet Segura
800 219 090
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