
A atriz Olivia Colman afirmou que “sempre se sentiu meio não binária”, sem querer transformar essa vivência num título fechado.
A declaração da atriz do celebrado triangulo amoro lésbico d’A Favorita, surgiu durante a promoção de Jimpa, apresentado no Festival de Sundance. Questionada sobre a presença recorrente de personagens e narrativas LGBTQ+ no seu percurso, Colman foi direta: “É uma comunidade em que adoro ser acolhida. Acho que as histórias mais amorosas e mais bonitas vêm dessa comunidade.”
Ao longo da vida, contou, teve muitas discussões sobre género.
Nunca se identificou plenamente com a ideia tradicional de feminilidade associada a ser mulher. Essa distância nunca foi vivida como conflito, mas como constatação. “Nunca me senti muito feminina no meu ser mulher.”
“Sempre me descrevi ao meu marido como um homem gay”, revelou, não como piada, mas como metáfora íntima.
A conversa ganhou ainda mais densidade com a intervenção de Sophie Hyde, realizadore de Jimpa. Hyde sublinhou como a socialização feminina pode ser limitadora. A ideia rígida de “mulher” não serve todas as pessoas criadas nesse enquadramento. “Somos criadas como mulheres, socializadas como mulheres, mas isso pode ser uma ideia limitadora.”
“Acredito que toda a gente tem tudo dentro de si”, explicou Olivia Colman
Colman alargou o raciocínio e recusou uma leitura unilateral ao dizer que os homens também são limitados pelas expectativas de género. “Os homens que conheço e amo estão muito em contacto com todos os lados de si próprios.” Na sua relação, explicou, força e fragilidade não têm género nem turnos fixos. “Às vezes sou eu a forte, outras vezes sou eu que preciso de gentileza.”
“Acredito que toda a gente tem tudo dentro de si”, rematou.
Este parece ser mais um exemplo de contacto com comunidades queer que legitima vivências que sempre existiram, mas nunca tiveram linguagem.
Este tipo de testemunho, ainda para mais vindo de uma atriz aclamada como Olivia Colman, ajuda a normalizar dúvidas, fluidez e zonas cinzentas. Especialmente num contexto de reação conservadora à diversidade de género.
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