Donald Trump volta a usar pessoas trans como arma política no Estado da União

Donald Trump volta a usar pessoas trans como arma política no Estado da União

No primeiro Estado da União do seu segundo mandato, Donald Trump centrou parte do discurso nas pessoas trans, em especial na juventude. Fê-lo num contexto de descida nas sondagens e sob pressão mediática.

Trump destacou no plenário Sage Blair, adolescente da Virgínia e elogiou a bolsa para a Liberty University, instituição cristã conservadora que não reconhece estudantes trans. O caso envolve uma ação judicial da mãe de Blair contra o conselho escolar num processo que continua em tribunal federal. A mãe alega que a escola não informou a família sobre a identidade de género da filha.

Trump afirmou que estados estão a “retirar crianças aos pais” para as “transicionar”. No entanto, importa referir que não existe legislação estadual que permita separar menores das famílias por divergência sobre identidade de género.

Defendeu ainda a proibição imediata de qualquer transição “contra a vontade” das famílias. A declaração ignora também aqui decisões médicas que envolvem equipas clínicas, responsáveis legais e enquadramento jurídico específico.

Lei de Sage e o outing forçado

Republicanos da Virgínia promovem a chamada “Sage’s Law”. A proposta obrigaria escolas a informar famílias sempre que estudantes usem nome ou pronomes diferentes. No entanto, organizações de direitos humanos alertam para o risco de outing forçado com jovens nestas condições a poderem enfrentar rejeição, violência ou expulsão da própria casa.

27 estados já aprovaram restrições a cuidados de afirmação de género para menores.

Impactos no direito de voto

Trump apelou também à aprovação do SAVE America Act, uma proposta que exigiria prova presencial de cidadania com passaporte ou certidão de nascimento para registo eleitoral.

Pessoas trans com documentos não atualizados poderão enfrentar obstáculos adicionais, bem como mulheres casadas cujo nome legal difira do registo de nascimento.

A reação de organizações LGBTQ+ ao discurso de Trump

A Human Rights Campaign criticou o discurso de Trump, tendo a sua presidente, Kelley Robinson, afirmado que os Estados Unidos vivem “caos, divisão e crise alimentados por Trump”.

Sejam mentiras incoerentes sobre a sua agenda, retórica perigosamente racista sobre as comunidades americanas, queixas divagantes sobre eleições passadas ou explosões absurdas e obsessivas sobre pessoas trans, ninguém sabe do que fala o presidente“, rematou.

Brandon Wolf, porta-voz da organização, considerou tratar-se de uma distração face a problemas económicos e institucionais. “Os custos de saúde ainda estão a subir, as famílias ainda estão a pagar os impostos das tarifas de Trump, agentes federais mascarados ainda estão a espalhar terror nas nossas ruas e o presidente ainda está em todos os arquivos de Epstein. Nenhuma quantidade de medo transfóbico mudará a realidade do estado da nossa união“, explicou.

Com níveis de reprovação nos 60%, todo este discurso embate com a realidade a vários níveis. Por exemplo, sondagens recentes indicam que uma parte crescente do eleitorado, incluindo o republicano, não quer que políticas anti-trans dominem a agenda.

Tal como ser interpretado como uma estratégia recorrente que passa por colocar as pessoas trans, e nomeadamente jovens, no centro de batalhas culturais mais amplas. A obsessão com as questões das minorias, e em particular as pessoas LGBTI+, levanta questões sobre ética e moralidade que são constantemente atropeladas por esta administração.

O efeito político é incerto. O impacto social, porém, é imediato e concreto para quem vê a sua existência debatida como ameaça.


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