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rede ex aequo divulgou relatório do projeto educação lgbti 2019: “80% já assistiu a discriminação”

A rede ex aequo – associação de jovens LGBTI e apoiantes – deu a conhecer o Relatório do Projeto Educação LGBTI face ao ano de 2019, onde foram retiradas conclusões da realidade estudantil LGBTI em Portugal. O relatório surgiu pela análise às respostas dadas em formulários respondidos voluntariamente por jovens estudantes, docentes e não-docentes sobre o ambiente escolar, familiar e sobre discriminação homo-bi-trans-interfóbica.

Contra críticas bacocas, o relatório indica que as sessões do Projeto Educação LGBTI da rede ex aequo têm uma receção positiva dentro da comunidade escolar, demarcando a importância da juventude LGBTI ser reconhecida em ambiente escolar com as suas especificidades: a formação da identidade, a falta de abertura no ambiente familiar e escolar para falar sobre as questões de orientação sexual, identidade e expressão de género, a eventual exclusão social e a falta de apoio pedagógico e psicológico em situações de bullying e violência. É de notar que as sessões
do Projeto Educação têm também a especificidade de serem moderadas por jovens que interagem e dialogam com outros e outras jovens, permitindo assim uma maior proximidade a nível de vivências, referências e capacidade de se identificar com o seu par. É de notar que muitas das pessoas inquiridas referiram que as questões discutidas não são suficientemente abordadas na escola nem em casa.

Cerca de 79,2% de jovens já terá assistido, pelo menos uma vez, a situações de gozo ou discriminação com base na orientação sexual, identidade e expressão de género ou características sexuais, face a 57% do corpo docente. Isso pode indicar diferenças na perceção do que caracteriza uma forma de violência ou a diferença do comportamento em sala de aula e no resto do recinto escolar. Atos como o gozo e brincadeiras (mesmo entre jovens heterossexuais) são facilmente desvalorizados e desqualificados como formas de perpetuar violência. Esta violência pode acontecer de uma forma direta ou indireta. Na dimensão indireta, falamos da veiculação e reinserção de estigmas e preconceitos sobre pessoas LGBTI de uma forma socialmente aceite.

Existe também uma grande dificuldade em entender questões trans e intersexo, provavelmente devido à maior invisibilidade destas perante a sociedade, especialmente a de pessoas intersexo.

Em relação ao último relatório publicado, com os dados homólogos de 2016–18, há algumas mudanças positivas a salientar, nomeadamente mais alunos referem conhecer pessoas LGBTI (de 77,5% para 83,5%); as sessões motivaram mais jovens a lutar contra a homo- bi-transfobia (de 76% para 81,9%) e fala-se mais sobre estes assuntos no ambiente familiar (de 47,1% para 49,8%). Por outro lado, menos jovens referem que estes assuntos são abordados de forma positiva na escola (25% para 16,6%).

A metodologia das sessões do Projeto Educação LGBTI, através da educação não-formal, e de jovens para jovens, permite que participantes se sintam à vontade, num ambiente entre pares, onde podem conversar sobre os acontecimentos na escola, as suas opiniões e visões sobre a diversidade sexual e de género. A realização do projeto cumpre o papel de criar essa abertura e traz também experiências próprias sobre como é ser uma pessoa jovem LGBTI na sociedade portuguesa. Nas sessões em que esta partilha ocorre, estudantes conhecem relatos reais de pessoas LGBTI que fomentam a criação de empatia, principalmente quando são partilhadas situações de discriminação ou bullying.

O Relatório Projeto Educação LGBTI esteve em destaque no Podcast Dar Voz A esQrever 🎙🏳️‍🌈

O Projeto Educação LGBTI tem assumido a tarefa de também dialogar com o corpo docente, dado que este indicou a necessidade de formação específica, contudo diz estar ao corrente de recursos que apoiem jovens em caso de homo-bi-transfobia.

Considerando que uma grande parte das escolas do país nunca realizou uma destas sessões, é importante referir três pontos: muitas escolas no interior não querem ou não sabem ainda da possibilidade das sessões, jovens LGBTI podem estar sem qualquer recurso institucional para terem apoio e o respetivo corpo docente pode estar pouco preparado e sem informação sobre como lidar com a temática em sala de aula ou em situações de bullying.

O Relatório do Projeto Educação LGBTI pode ser lido na íntegra aqui.

Fonte: Imagem.

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