Tribunal de Justiça da União Europeia reconheceu que famílias arco-íris devem ser consideradas famílias em todos os Estados-Membros

Numa decisão histórica, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) referiu que se um país reconhece uma relação parental com uma criança, os restantes Estados-Membros devem fazer o mesmo para garantir o direito da criança à livre circulação.

O caso chegou a tribunal depois das autoridades búlgaras recusarem dar uma certidão de nascimento à filha recém-nascida de um casal do mesmo género, alegando que uma criança não pode ter duas mães.

Kalina Ivanova e Jane Jones, de origens búlgaras e britânicas, estão ambas registadas como mães de Sara, que nasceu em Espanha em 2019.  Mas nenhuma das mães é descendente de espanhóis, o que significa que a cidadania no país não é permitida e que, de acordo com a Lei da Nacionalidade Britânica de 1981, Jones não pode transferir a cidadania britânica para a sua filha porque nasceu em Gibraltar.

Ivanova acabaria por solicitar a cidadania búlgara para a sua filha, que foi posteriormente rejeitada porque casamentos e uniões entre pessoas do mesmo género não são reconhecidos na Bulgária.

Sara ficou em risco de se tornar apátrida, sem acesso à cidadania, sem poder sair do país de residência da sua família, Espanha, e sem documentos pessoais, limitando o acesso à educação, saúde e segurança social. Este não é, aliás, caso único na Europa.

O TJUE também determinou que a criança deveria receber um passaporte búlgaro.

Este foi um dos tópicos centrais aquando da entrevista de Diogo Pereira à eurodeputada Terry Reintke que já em maio falava da importância no “reconhecimento mútuo de documentos que hoje impede a vida e liberdade de muitas famílias” permitindo o reconhecimento e maior proteção das famílias arco-íris em toda a União. Além do resumo escrito da entrevista, vale a pena escutar o episódio especial no formato podcast [LINK].

Sete meses passados e na sequência da decisão do TJUE, Arpi Avetisyan, da ILGA-Europe, disse: “O julgamento trouxe o esclarecimento há muito aguardado de que a paternidade estabelecida num Estado-Membro da UE não pode ser descartada por outro, sob o pretexto de proteger a ‘identidade nacional’.”

Esta é uma verdadeira prova de que a UE é uma união de igualdade e esperamos ver as famílias do mesmo género desfrutar do direito à liberdade de circulação e de outros direitos fundamentais em pé de igualdade com todas as outras pessoas. É importante que a decisão do julgamento seja implementada em breve, não só para a bebé Sara e a sua família, como também para outras famílias que enfrentam lutas semelhantes em toda a UE.

As duas mães falaram, através de um comunicado, “num grande passo em frente para todas as famílias LGBT+ na Bulgária e na Europa.

Esta “decisão terá um efeito na vida de 100 mil a 150 mil crianças em toda a UE“, reagiu a Deystvie, associação búlgara para a defesa dos direitos LGBT+.

O caso não é passível de recurso.


Ep. 258 – UE protege mulheres trans, Chicão muda de opinião & Women Talking + Young Hearts Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBT 🎙🏳️‍🌈

O DUCENTÉSIMO QUINQUAGÉSIMO OITAVO EPISÓDIO do Podcast Dar Voz a esQrever 🎙️🌈é apresentado por nós, Pedro Carreira e Nuno Miguel Gonçalves.Neste episódio comentamos o impacto do episódio 5 de Heated Rivalry como momento-chave de viragem emocional na série, analisamos a resolução do Parlamento Europeu que recomenda o reconhecimento pleno das mulheres trans e refletimos sobre a mudança pública de posição de Francisco Rodrigues dos Santos em relação ao casamento e à adoção por casais do mesmo sexo. No Dar Voz A…, falamos sobre Women Talking, filme de Sarah Polley que cruza patriarcado e violência estrutural, e também da estreia de Young Hearts, filme de primeiros amores e descobertas identitárias.Artigos Mencionados no Episódio:Parlamento Europeu aprova votação que pede reconhecimento de mulheres transFrancisco Rodrigues dos Santos: “A família pode integrar várias geometrias” após mudar de posição sobre casamento e adoçãoMontenegro “lamenta profundamente” desenhos animados sobre identidade de género, apesar do consenso internacional sobre educação inclusivaLuís Montenegro associou a orientação sexual ao abuso sexual de criançasYoung Hearts estreia em Portugal: quando o primeiro amor encontra espaço para respirarSe nos quiserem pagar um café, ⁠⁠⁠⁠⁠aceitamos doações aqui⁠⁠⁠⁠⁠ ❤️🦄Jingle por Hélder Baptista 🎧Para participarem e enviar perguntas que queiram ver respondidas no podcast contactem-nos via Bluesky ( ⁠⁠@esqrever.com⁠⁠ ) e Instagram ( ⁠⁠@esqrever⁠⁠ ) ou para o e-mail ⁠⁠geral@esqrever.com⁠⁠. E nudes já agora, prometemos responder a essas com prioridade máxima. Até já, unicórnios 🦄#LGBTQ #HeatedRivalry #DireitosTrans #CinemaQueer #TeatroQueer #Portugal #Brasil
  1. Ep. 258 – UE protege mulheres trans, Chicão muda de opinião & Women Talking + Young Hearts
  2. Ep.257 – Presidenciais 2026 (2ª volta), Sandra Bernhard & Bad Bunny + Putain
  3. Ep.256 – Autodeterminação de Género em Portugal 2026 & António Botto

O Podcast Dar Voz A esQrever 🎙🏳️‍🌈 está disponível nas seguintes plataformas:
👉 Spotify 👉 Apple Podcasts 👉 Youtube Podcasts 👉 Pocket Casts 👉 Anchor 👉 RadioPublic 👉 Overcast 👉 Breaker 👉 Podcast Addict 👉 PodBean 👉 Castbox 👉 Deezer


A esQrever no teu email

Subscreve e recebe os artigos mais recentes na tua caixa de email

3 responses to “Tribunal de Justiça da União Europeia reconheceu que famílias arco-íris devem ser consideradas famílias em todos os Estados-Membros”

  1. Ai eu presumo que o Direito “fala por si” e merece supremacia, isto é, estava sendo colocado o gênero dos responsáveis sobrepondo a responsabilidade deles sobre a criança, que por muitos anos foi chamado de “pátrio poder”, nos países em que havia o “patriarcado”! Já, a Espanha possa ter sido “mais liberal”, porque sua História é o “matriarcado”, tanto que na América Latina, exceto o Brasil, o sobrenome da mãe é que é repassado as gerações!

    Gostar

  2. […] Manuel Luís Goucha e Cláudio Ramos. Mas há boas novas em época festiva, a do reconhecimento de todas as famílias nos países da União Europeia e da campanha inclusiva da ILGA Portugal com a Ködö. Depois de falarmos das nossas […]

    Gostar

Deixa uma resposta

Apoia a esQrever

Este é um projeto comunitário, voluntário e sem fins lucrativos, criado em 2014, e nunca vamos cobrar pelo conteúdo produzido, nem aceitar patrocínios que nos possam condicionar de alguma forma. Mas este é também um projeto que tem um custo financeiro pelas várias ferramentas que precisa usar – como o site, o domínio ou equipamento para a gravação do Podcast. Por isso, e caso possas, ajuda-nos a colmatar parte desses custos. Oferece-nos um café, um chá, ou outro valor que te faça sentido. Estes apoios são sempre bem-vindos 🌈

Buy Me a Coffee at ko-fi.com