
2023 pode terminar a espera de 25 anos em que um ator ou atriz fora do armário recebe uma nomeação por uma personagem LGBTQ nos Óscares. Corria o ano de 1998 quando Ian McKellen foi nomeado em Deuses e Monstros pelo seu retrato do realizador gay James Whale.
Desde então, apesar da celebração das identidades queer no cinema, nenhuma outra pessoa queer foi nomeada por desempenhar um papel queer. E não faltam exemplos de artistas heterossexuais e cisgénero com nomeações e inclusive vitórias.
Mas as nomeações este ano podem findar o compasso de espera de um quarto de século.
Colman Domingo em Rustin

Em Rustin, Colman Domingo interpreta a vida inspiradorade Bayard Rustin, um ativista negro e gay, e como ele organizou a histórica Marcha de 1963 em Washington DC, que reuniu 250.000 pessoas em frente ao Lincoln Memorial para protestar contra a discriminação racial. Lenny Kravitz, aliado da comunidade LGBTQ, assina a banda sonora do filme.
Jodie Foster em Nyad

Jodie Foster é há muito uma das caras mais conhecidas dos Óscares. Com Nyad tem a possibilidade de ser nomeada, agora como mulher orgulhosamente queer, pelo seu papel como Bonnie Stoll. Esta é a melhor amiga, antiga namorada e treinadora da icónica nadadora Diana Nyad (interpretada por Annette Bening). Aos 64 anos, Nyad nadou 177 Km, entre Cuba e a Floria, sem parar e receber qualquer assistência. Stoll esteve sempre a seu lado.
Andrew Scott em All Of Us Strangers

Andrew Scott interpreta um tímido autor gay chamado Adam, que se envolve com o seu vizinho Harry, interpretado por Paul Mescal. No entanto, à medida que o romance floresce, Adam vê-se atraído de volta à sua antiga casa, onde reencontra os fantasmas da sua mãe e pai, Claire Foy e Jamie Bell. Adam utiliza essa ligação com a sua falecida família para desafiar os seus próprios medos e vergonha, assumindo-se finalmente para ela.
Foi apenas em 2022 que Ariana DeBose se tornou na primeira artista assumidamente queer a conquistar um Óscar. A sua interpretação de Anita em West Side Story, uma personagem heterossexual, valeu-lhe a vitória.
25 anos depois da nomeação de Ian McKellen por um papel LGBTQ principal, 2023 pode ser o ano em que a representatividade e a celebração dão as mãos na cerimónia dos Óscares que acontecerá a 10 de março.
Portugal nos Óscares e com representação LGBTQ?

A curta-metragem “Um caroço de abacate”, com Ivo Canelas e Gaya de Medeiros, conta história do encontro entre uma mulher trans e um homem cis na noite de Lisboa. O filme, realizado por Ary Zara, é um dos 15 candidatos às nomeações na na categoria de Melhor Curta-Metragem, revelou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

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