
A apresentação do livro “Mamã, quero ser um menino!”, da autora Ana Rita Almeida, foi interrompida este sábado no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, por associação de extrema-direita. Entre os gritos de protesto, ouviu-se “acabou!” e “deixem as crianças em paz!”. A interrupção foi causada pela Habeas Corpus, liderada pelo ex-juiz Rui Fonseca e Castro, que invadiu o evento com uma bandeira de Portugal e um megafone.
A segurança do evento tentou conter os invasores, mas sem sucesso. A GNR, que já estava no local, retirou a autora da sala por questões de segurança. A apresentação, que contava ser “bom momento de alegria, liberdade e sobretudo de amor“, não foi retomada por motivos de segurança.
A autora do livro vai apresentar queixa contra elementos da associação Habeas Corpus. “Foi uma coisa atroz, para criar desacatos e desinformação: gritaram ‘isto acabou aqui’, questionando porque se estava a apoiar um livro homossexual. Fui retirada da sala, juntamente com o presidente da Câmara Municipal, que também tinha feito uma intervenção momentos antes.”
Ana Rita Almeida também confirmou que, a 10 de Junho, participou numa sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, onde também surgiram elementos da associação extremista. “Como estavam em número reduzido, limitaram-se a seguir-me sem que desse conta, mas reportando-o depois em redes sociais.”
O livro apresenta a história de um menina que desabafa junto da sua mãe, “dizendo que no fundo quer ser um menino.” Após a revelação, a mãe apresenta-lhe conforto e aceitação. “Estamos perante uma questão de identidade de género, mas na forma como a história está escrita, o leitor tem a liberdade de interpretar o lado da história que lhe for mais confortável”, concluiu.
Esta não é a primeira vez que a Habeas Corpus invade a apresentação de um livro infantil
Esta não é a primeira vez que a associação Habeas Corpus invade apresentações de livros infantis. Em junho, um evento similar ocorreu durante a apresentação do livro “O avô Rui, o senhor do Café”, de Mariana Jones, na Fnac do NorteShopping, no Porto.
Mariana Jones foi vítima de ameaças homofóbicas devido ao seu livro infantil “O Pedro gosta do Afonso”. A PSP do Porto confirmou que Mariana Jones está com estatuto de vítima e que o caso foi remetido ao Ministério Público. Desde outubro, a autora tem sido alvo de ameaças digitais por Djalme dos Santos, membro da Habeas Corpus, que descreveu o livro como um “manual de instruções” ou “bíblia homossexual infantil” em vídeos nas redes sociais.
Ana Rita Almeida é poeta e também bombeira voluntária em Castelo Branco. O livro “Mamã, quero ser um menino!” está editado pela Cordel d’Prata.

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