
A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova anunciou que poderá apresentar queixa ao Ministério Público em resposta à invasão da apresentação do livro “Mamã, quero ser um menino”, de Ana Rita Almeida, por elementos da associação Habeas Corpus. O incidente ocorreu no sábado durante a XXIV Feira Raiana, no Centro Cultural Raiano (CCR).
O presidente da Câmara, Armindo Jacinto, declarou que “este comportamento não é admissível num Estado de Direito, em que a liberdade de expressão é um dos direitos fundamentais“. O autarca sublinhou ainda que o município não se deixará intimidar por “movimentos extremistas, racistas e xenófobos“, reforçando o compromisso de Idanha-a-Nova em apoiar expressões artísticas que respeitem os valores democráticos.
Durante a apresentação, membros da Habeas Corpus invadiram a sala, gritando “isto acabou aqui” e questionando o apoio a um “livro homossexual“. A autora e o presidente da Câmara foram retirados da sala por questões de segurança. Ana Rita Almeida já anunciou que também avançará com uma queixa contra os elementos envolvidos.
Armindo Jacinto reiterou o apoio à autora e frisou a importância de discutir temas como a Identidade de Género, apelando a uma troca de ideias construtiva e respeitosa. A Câmara de Idanha-a-Nova colaborará com as autoridades para apurar responsabilidades e não exclui a possibilidade de avançar com uma queixa formal.
O incidente, descrito como “atroz” por Ana Rita Almeida, marca mais um confronto deste grupo contra autoras de livros infantis.
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