
A organização da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto anunciou o cancelamento do Arraial + Orgulhoso, por falta de apoio financeiro da Câmara Municipal do Porto. Apesar de pedidos formais com orçamento detalhado, a autarquia recusou apoiar financeiramente o evento, comprometendo as condições mínimas de segurança e logística.
A decisão foi recebida com “tristeza e revolta”. O Arraial, que marcaria os 20 anos da marcha com cultura, convívio e visibilidade LGBTI+, torna-se assim vítima direta da desresponsabilização institucional. “Não é um desfile. É resistência”, afirma a organização, sublinhando que todo o trabalho é feito de forma voluntária, horizontal e comunitária.
A Câmara limitou-se a oferecer apoio logístico através da empresa municipal Ágora, recusando financiar itens como:
- policiamento,
- aluguer de bancas,
- equipamento de som (2.500€),
- cachets para artistas locais (3.000€),
- seguro de responsabilidade civil (500€).
Isto acontece no mesmo ano em que a autarquia aprovou quase 3 milhões de euros em apoios a outros eventos culturais, sublinha a organização. “O arco-íris nas fachadas e nos mastros não substitui compromisso político com a igualdade”, denunciam.
Também a Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa se queixou esta semana da falta de compromisso e apoio por parte da Câmara de Lisboa. Num momento em que assistimos ao crescimento da retórica anti-direitos e à instrumentalização política da comunidade LGBTI+, é, pois, fundamental exigir responsabilidade e coerência às instituições públicas.
Cancelado o Arraial, Marcha do Orgulho do Porto mantém-se
Apesar do cancelamento do Arraial, a Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto mantém-se e realiza-se a 28 de junho, com concentração às 15h na Avenida dos Aliados. Sob o lema “Direito a existir, dever de resistir”, a marcha assinala duas décadas de luta, num contexto de crescentes ameaças a direitos fundamentais.
No dia 15 de junho, pelas 15h30, realiza-se uma Assembleia Pública na Associação de Moradores da Bouça para continuar a construção do Caderno Reivindicativo, iniciado na Marcha Fora de Época de maio.
Este ano, a marcha reforça o apelo: por saúde, educação, habitação e dignidade. Por um país onde todas as pessoas possam existir com segurança. Resistir continua a ser um dever.

Deixe uma resposta para Vamos bater leque? 🪭 Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto celebra 20 anos e enfrenta falta de apoio institucional – esQrever Cancelar resposta