Queer Lisboa 29 revela-nos mundos do cinema político à intimidade queer

Plainclothes, de Carmen Emmi, será o filme de abertura do Queer Lisboa 29 (2025).

O Queer Lisboa regressa para a sua 29.ª edição e volta a afirmar-se como um dos mais importantes palcos de diversidade e representação no cinema contemporâneo.

Este ano, o festival destaca-se através de cinco competições oficiais, cada uma com a sua identidade própria, que juntas traçam um retrato plural do cinema queer no presente.

De regresso aos habituais Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa, entre os dias 19 e 27 de setembro, o festival promete, mais uma vez, ser casa para histórias, realidade e vivências queer. Confere a programação em maior detalhe e, no final, o calendário do evento:

Sessões Especiais

  • Noite de Abertura: Plainclothes, Carmen Emmi (EUA, 2025, 95’)
  • Noite de Encerramento: Between Goodbyes, Jota Mun (EUA, Coreia do Sul, 2024, 96’)

Competição de Longas-Metragens

Cactus Pears (Sabar Bonda) no Queer Lisboa 29 (2025)
Cactus Pears (Sabar Bonda) no Queer Lisboa 29 (2025)

Aqui reúne-se um conjunto de obras que exploram narrativas complexas e aprofundadas, desde o drama familiar até à luta política. São filmes que não têm medo de confrontar o público com questões difíceis, mas também de revelar a ternura e a intimidade que atravessam as experiências queer. Esta secção propõe olhares demorados e densos, capazes de nos fazer habitar com tempo e emoção as suas histórias.

  • Cactus Pears, Rohan Parashuram Kanawade (Índia, Reino Unido, Canadá, 2025, 112’)
  • Dreamers, Joy Gharoro-Akpojotor (Reino Unido, 2025, 78’)
  • Drunken Noodles, Lucio Castro (EUA, Argentina, 2025, 82’)
  • Jone, a Veces, Sara Fantova (Espanha, 2025, 80’)
  • Laurent dans le vent, Anton Balekdjian, Léo Couture, Mattéo Eustachon (França, 2025, 110’)
  • Lesbian Space Princess, Emma Hough Hobbs, Leela Varghese (Austrália, 2025, 87’)
  • Queerpanorama, Jun Li (EUA, Hong Kong, 2025, 87’) 
  • Salomé, André Antônio (Brasil, 2024, 118’)

Competição de Documentário

A Body to Live in, Angelo Madsen_ Queer Lisboa 29 (2025)
A Body to Live in, de Angelo Madsen, no Queer Lisboa 29 (2025)

Através de retratos pessoais, arquivos históricos e observações sociais, esta competição traz-nos o cinema como testemunho e memória. São filmes que revelam as lutas políticas, as vitórias e os silências, e que transformam experiências individuais em histórias coletivas. O documentário aqui torna-se um gesto de resistência, mas também de cuidado com a história e com quem a viveu.

  • A Body to Live in, Angelo Madsen (EUA, 2025, 98’) 
  • Amantes en el Cielo, Fermín de la Serna (EUA, Argentina, 2024, 77’) 
  • Ceci est mon corps, Jérôme Clément-Wilz (França, 2025, 64’) 
  • Edhi Alice, Ilrhan Kim (Coreia do Sul, 2024, 127’) 
  • Familiar Places, Mala Reinhardt (Alemanha, 2024, 94’)  
  • Je suis déjà mort trois fois, Maxence Vassilyevitch (França, 2025, 65’) 
  • My Sweet Child, Maarten de Schutter (Países Baixos, 2025, 58’)  
    Tripoli / A Tale of Three Cities, Raed Rafei (Líbano, 2024, 88’)  

Competição Queer Art

Cherub, de Devin Shears, no Queer Lisboa 29 (2025)
Cherub, de Devin Shears, no Queer Lisboa 29 (2025)

Neste espaço, a linguagem experimental e as formas não convencionais de cinema têm protagonismo. São obras que quebram fronteiras entre géneros e disciplinas, reinventando a forma como vemos, ouvimos e sentimos o cinema queer. Entre o vídeo-arte, a performance filmada e a experimentação visual, encontramos uma dimensão de risco e liberdade, que coloca a arte como lugar central de expressão da diversidade.

  • Cherub, Devin Shears (Canadá, 2024, 74’)
  • Holy Electricity, Tato Kotetishvili (Geórgia, Países Baixos, 2024, 95’) 
  • Llueve sobre Babel, Gala del Sol (Colômbia, EUA, Espanha, 2024, 111’) 
  • Museo de la Noche, Fermín Eloy Acosta (Argentina, 2025, 88’)
  • Nem Deus É tão Justo quanto Seus Jeans, Sergio Silva (Brasil, 2025, 74’) 
  • The Shipwrecked Triptych, Deniz Eroglu (Países Baixos, Alemanha, 2025, 90’)
  • Sirens Call, Lina Sieckmann, Miri Ian Gossing (Alemanha, Países Baixos, 2025, 121’) 
  • Truth or Dare, Maja Classen (Alemanha, 2024, 79’)

Competição de Curtas-Metragens

Nunca Fuimos un Desierto, Agustina Comedi, Chiachio & Giannone no Queer Lisboa 29 (2025)
Nunca Fuimos un Desierto, de Agustina Comedi, Chiachio & Giannone, no Queer Lisboa 29 (2025)

A urgência e a intensidade estão no centro desta competição. Cada curta oferece um relâmpago de experiência, uma janela rápida mas profunda para o que significa ser queer em diferentes contextos. Esta secção celebra a capacidade de contar muito em pouco tempo, de provocar emoções imediatas e deixar ressonâncias duradouras.

  • Al Sol, Lejos del Centro, Luciana Merino, Pascal Viveros (Chile, 2024, 17’)
  • Are You Scared to Be Yourself Because You Think that You Might Fail?, Bec Pecaut (Canadá, 2024, 17’) 
  • Before the Sea Forgets, Lê Ngọc Duy (Singapura, 2025, 17’) 
  • Being Blue, Luke Fowler (Reino Unido, 2025, 17’) 
  • Big Boys Don’t Cry, Arnaud Delmarle (França, 2025, 23’)
  • Birthdays, Adrian Jalily (Dinamarca, 2025, 19’)
  • Correct Me if I’m Wrong, Hao Zhou (Alemanha, EUA, 2025, 23’)
  • Les fantômes du hard, chapitre 2, Lazare Lazarus (França, 2024, 28’)
  • Ferides, Alba Cros (Espanha, 2025, 18’)
  • Homunculus, Bonheur Suprême (França, Itália, 2025, 18’) 
  • Howl, Domini Marshall (Austrália, 2025, 16’)
  • Lloyd Wong, Unfinished, Lesley Loksi Chan (Canadá, 2025, 29’) 
  • My Therapist Said, I Am Full of Sadness, Monica Vanesa Tedja (Indonésia, 2024, 22’) 
  • Neko, Inês Oliveira (Portugal, 2025, 30’)
  • Nunca Fuimos un Desierto, Agustina Comedi, Chiachio & Giannone (Argentina, 2024, 12’)
  • Oceania, Valentin Noujaïm (França, 2024, 24’)
  • Le prime volte, Giulia Cosentino, Perla Sardella (Itália, Espanha, 2025, 16’)
  • Será Inmortal Quien Merezca Serlo, Nay Mendl (Cuba, Brasil, 2024, 19’)
  • Sous ma fenêtre, la boue, Violette Delvoye (França, Bélgica, 2025, 13’)
  • Twilight Ladies, Alain Soldeville, Alexe Liebert (França, 2024, 11’)

In My Shorts – Competição Escolas

Metamorphosia, de Elsa Michaud, no Queer Lisboa 29 (2025)
Metamorphosia, de Elsa Michaud, no Queer Lisboa 29 (2025)

Dedicada a estudantes de cinema, esta competição abre um espaço para novas vozes e futuros olhares. São filmes que, apesar da juventude de quem os cria, já revelam uma enorme maturidade artística e política. Aqui encontram-se experiências frescas e corajosas, que prometem desenhar o futuro do cinema queer.

  • À nos jardins, Samuel Dijoux (França, 2024, 28’)
  • Casi Septiembre, Lucía G. Romero (Espanha, 2025, 30’)
  • Erogenesis, Xandra Popescu (Alemanha, 2025, 15’) 
  • I Am a Flower, Ariel Victor Arthanto (Alemanha, 2024, 13’)
  • Icebergs, Carlos Pereira (Alemanha, 2024, 20’)
  • Je pars crever, Jordan Brandao Rodrigues (França, 2024, 19’) 
  • Metamorphosia, Elsa Michaud (França, 2025, 15’) 
  • Rezbotanik, Pedro Gonçalves Ribeiro (Brasil, Portugal, Espanha, 2025, 18’) 
  • Todos los Barrios Posibles, Matteo Giampetruzzi (Espanha, 2024, 9’) 
  • Touch Me with Your Eyes, Anaïs Kaboré (Bélgica, 2024, 27’) 

No conjunto das suas competições e programas paralelos com conversas e exposições, o Queer Lisboa 29 afirma-se como muito mais do que uma montra de cinema: é um espaço de memória e de futuro, onde a vulnerabilidade se transforma em amparo, e a diferença em cumplicidade.

Seja através de histórias íntimas de amor, retratos de ativismo político, experimentações formais ou olhares frescos de novas gerações, o festival continua a provar que o cinema queer é um território de resistência, imaginação e comunidade.

Calendário Queer Lisboa 29 2025
Calendário completo do Queer Lisboa 29 (2025), também disponível em .pdf.

Podes conferir toda a programação no site do festival.


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