
O ator irlandês Andrew Scott recordou a profunda ligação entre o filme All Of Us Strangers (Desconhecidos, em Portugal; Todos Nós Desconhecidos, no Brasil) e a sua mãe, Nora Scott, que morreu subitamente no início de 2024.
Durante a sua participação no evento FACTS: Your Belgian Comic Con, Scott revelou que o filme foi “o último que a minha mãe viu antes de morrer” — uma coincidência que deu novo significado à história que protagoniza.
“O filme é sobre alguém que perdeu os pais, e foi o último que a minha mãe viu antes de morrer. Acho que, como muita gente, sempre temi esse momento. Mas o maravilhoso é que, de certa forma, pude expressar-lhe amor antes de ela partir”, contou o ator ao público.
O poder de dizer adeus através da arte
Realizado por Andrew Haigh e inspirado no romance Strangers do japonês Taichi Yamada, All Of Us Strangers acompanha Adam, um argumentista solitário que se envolve com o seu vizinho Harry (interpretado por Paul Mescal) enquanto lida com as memórias e o luto dos pais (vividos por Jamie Bell e Claire Foy).

O filme mistura realismo e fantasia, criando um espaço quase onírico onde Adam reencontra os pais exatamente como eram no dia em que morreram. Essa possibilidade de reencontro, entre o afeto e a dor, tornou-se para Scott uma experiência pessoalmente transformadora.
“Há algo de extraordinário na arte: podemos especular, imaginar e, ao mesmo tempo, estar emocionalmente presentes. Pude dizer adeus à minha mãe através de Adam. Foi um privilégio raro”, partilhou.
Um retrato de luto, amor e identidade queer
All Of Us Strangers foi amplamente aclamado pela crítica pela sensibilidade com que explora o luto, a solidão e o amor queer — temas que se cruzam com a própria trajetória de Scott, conhecido pelo seu papel em Fleabag e pela visibilidade enquanto homem gay assumido.
A relação entre Adam e Harry, construída entre o desejo, o medo e a vulnerabilidade, reflete também a forma como o filme aborda a possibilidade de cura emocional através do amor — mesmo quando marcado pela ausência.
Com a sua mãe ainda presente na memória, Andrew Scott deixou claro o quanto o cinema pode ser um meio de reconciliação e de homenagem:
“Poder expressar amor através de uma personagem é um dos grandes privilégios do meu trabalho.”
“Desconhecidos”: um espelho de amor universal
O impacto de Desconhecidos transcende o seu enredo. No centro, há um retrato profundamente humano sobre o que significa amar — e perder — enquanto se procura pertencer. Para Scott, esse processo foi mais do que um papel: foi uma despedida.
“O cinema permite-nos falar com quem já não está, dizer aquilo que ficou por dizer. E isso é, no fundo, uma forma de amor”, concluiu.
Subscreve à nossa Newsletter Semanal Maravilha Aqui! 🙂
Todos os sábados de manhã receberás um resumo de todos os artigos publicados durante a semana. Sem stress, sem spam, a nossa orgulhosa Newsletter Semanal pode ser cancelada a qualquer momento! 🏳️🌈

Deixa uma resposta