Festival da Canção 2026: maioria de concorrentes rejeita Eurovisão e critica posição da RTP

Festival da Canção 2026: maioria de concorrentes rejeita Eurovisão e critica posição da RTP

A maioria de concorrentes ao Festival da Canção 2026 anunciou que não irá à Eurovisão caso vença o concurso nacional.

O comunicado é assinado por seis das oito pessoas convidadas pela RTP — Bateu Matou, Cristina Branco, EVAYA, Djodje, Inês Sousa e Marquise — além de outras candidaturas espontâneas e por convites como Nunca Mates o Mandarim, Francisco Fontes, Gonçalo Gomes, Jacaréu, Rita Dias e Pedro Fernandes.

Cultura portuguesa sim, silêncio não

O comunicado relembra que o Festival da Canção existe desde 1964 e continua a ser um espaço de serviço público para a música portuguesa. Participar no evento mantém-se como uma oportunidade importante para quem cria, compõe e interpreta.

Mas o ponto central é político. As pessoas signatárias afirmam ter ficado “com espanto” ao ver que Israel não recebeu o mesmo tratamento que a Rússia em 2022, apesar de, segundo a ONU, estar “a cometer atos de genocídio contra os palestinianos em Gaza“. Mostram igual “perplexidade” perante a votação interna da União Europeia de Radiodifusão, que aprovou novas regras e evitou qualquer consulta sobre a permanência de Israel.

Entre as emissoras que votaram a favor das alterações esteve a RTP, decisão que, segundo o comunicado, “enquanto cidadãos e cidadãs e enquanto artistas, lamentamos”.

A conclusão é clara: haverá recusa de participação na Eurovisão 2026 caso uma das canções que representem vença em março. Dizem que o silêncio seria cumplicidade e que a cultura portuguesa deve ser uma forma de resistência.

Uma organização encurralada pela decisão política

Com a opção de manter Portugal na Eurovisão em 2026, apesar da saída de vários países e das tensões crescentes no festival, a organização do Festival da Canção colocou-se num lugar frágil. Ao assumir uma posição institucional de continuidade, acabou por abrir espaço para que grande parte dos nomes a concurso tomasse a dianteira política.

O resultado é uma inversão rara: a contestação veio de dentro do próprio alinhamento artístico, deixando a RTP confrontada com as implicações da sua decisão.

Quem não assinou comunicado de recusa à participação na Eurovisão

Bandidos do Cante e André Amaro não subscreveram o documento. Amaro diz respeitar todas as posições, mas prefere focar-se na sua expressão musical. AGRIDOCE, Sandrino e Dinis Mota também não figuram entre as pessoas signatárias.

Contexto internacional: Eurovisão cada vez mais dividida

Esta posição surge numa semana marcada por abandonos sucessivos da Eurovisão 2026. Espanha, Irlanda, Países Baixos e Eslovénia já anunciaram na semana passada que não participam.

Hoje, também a Islândia confirmou que não estará presente. A emissora RÚV afirmou que participar “não seria fonte de alegria nem de paz” enquanto Israel mantiver presença no concurso. Disse ainda que a decisão da EBU criou “desunião” entre membros e público.

O afastamento de várias países europeus evidencia um festival cada vez mais polarizado, com tensões entre os valores proclamados pela Eurovisão e a realidade no terreno. A recusa de grande parte dos nomes a concurso em Portugal reforça – e força – esse mesmo debate dentro de portas.


Subscreve à nossa Newsletter Semanal Maravilha Aqui! 🙂
Todos os sábados de manhã receberás um resumo de todos os artigos publicados durante a semana. Sem stress, sem spam, a nossa orgulhosa Newsletter Semanal pode ser cancelada a qualquer momento! 🏳️‍🌈


A esQrever no teu email

Subscreve e recebe os artigos mais recentes na tua caixa de email

Uma resposta a “Festival da Canção 2026: maioria de concorrentes rejeita Eurovisão e critica posição da RTP”

  1. […] Festival da Canção 2026: maioria de concorrentes rejeita Eurovisão e critica posição da RTP […]

    Gostar

Deixe uma resposta para Podcast – Festival da Canção e da Eurovisão em rutura, resistência em Budapeste & Come See Me In The Good Light – esQrever Cancelar resposta

Apoia a esQrever

Este é um projeto comunitário, voluntário e sem fins lucrativos, criado em 2014, e nunca vamos cobrar pelo conteúdo produzido, nem aceitar patrocínios que nos possam condicionar de alguma forma. Mas este é também um projeto que tem um custo financeiro pelas várias ferramentas que precisa usar – como o site, o domínio ou equipamento para a gravação do Podcast. Por isso, e caso possas, ajuda-nos a colmatar parte desses custos. Oferece-nos um café, um chá, ou outro valor que te faça sentido. Estes apoios são sempre bem-vindos 🌈

Buy Me a Coffee at ko-fi.com