
Gergely Karácsony anunciou que a polícia húngara quer que seja acusado por ter permitido que a Marcha do Orgulho de Budapeste avançasse em junho, apesar da proibição imposta pelo governo. “A polícia concluiu a investigação […] com uma recomendação para apresentar acusações”, afirmou num vídeo. “Acusam-me de violar a lei da liberdade de reunião, o que é completamente absurdo.”
A lei em causa foi aprovada em março e limita reuniões públicas que incluam “divergência da autoidentidade correspondente ao sexo à nascença, mudança de sexo ou homossexualidade” quando exista “exposição a crianças”. Esta legislação serviu de base para o governo banir o Pride. Para muitas pessoas críticas do governo, porém, a proibição serviu sobretudo como arma política antes das eleições de 2026.
Assumi todos os riscos políticos pela liberdade da minha cidade
Karácsony, líder Verde e opositor firme de Viktor Orbán, recusou cumprir a ordem do governo e autorizou a marcha. Eurodeputadas estiveram presentes para demonstrar solidariedade com a comunidade LGBTQ+. Orbán reagiu com avisos de que haveria consequências legais.
O presidente da câmara foi interrogado pela polícia em agosto e diz agora ter recebido a notificação formal do processo. “Num sistema onde a lei protege o poder e não as pessoas […], era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, tomassem medidas criminais contra mim”, afirmou. Acrescentou ainda: “Estou orgulhoso por ter assumido todos os riscos políticos pela liberdade da minha cidade.”
A liderança europeia dos Verdes reagiu de imediato. “O pedido da polícia para indiciar o presidente da câmara Verde de Budapeste Gergely Karácsony por apoiar o Pride 2025 é um uso chocante do poder do Estado pelo regime de Orbán”, declarou Vula Tsetsi, co-presidente do partido.
Budapeste como cidade de resistência
Este novo desenvolvimento surge meses depois de Karácsony ter declarado que a Marcha do Orgulho LGBTQ+ passava a ser um evento municipal. O gesto contrariou diretamente a nova lei nacional e marcou um momento de coragem política em defesa da liberdade e da dignidade das pessoas LGBTQ+.
Ao assumir a organização oficial do Pride, Budapeste enviou uma mensagem dentro e fora da Hungria: a capital não aceita ser cúmplice de políticas que tentam silenciar comunidades diversas. Agora, a acusação contra o autarca torna ainda mais evidente o clima repressivo que o governo de Orbán tem cultivado, com a narrativa sobre “proteção das crianças” a servir de base para ataques aos direitos humanos.
O que está em jogo na Hungria e na Europa
A Hungria entra em ano pré-eleitoral com sondagens que mostram o Fidesz atrás do partido Tisza. A escalada contra o Pride encaixa na estratégia do governo para mobilizar eleitorado conservador através de conflitos culturais. O caso contra Karácsony expõe essa instrumentalização da lei e reforça o papel das lideranças locais na defesa das liberdades civis.
Budapeste volta, assim, a recordar-nos que o Orgulho é, sempre, resistência. E que há instituições e lideranças que continuam dispostas a enfrentar o autoritarismo para proteger quem vive, ama e resiste na cidade.
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