
Esta noite, o Super Bowl LX tem Bad Bunny como protagonista central do Halftime Show, um dos maiores artistas pop da década. Não apenas pelo sucesso comercial, mas pelo que simboliza.
Nascido em Bayamón, Porto Rico, Benito Antonio Martínez Ocasio construiu uma carreira que cruza reggaeton, pop global e intervenção cultural. A sua música fala de desejo, vulnerabilidade, política e identidade, sem pedir licença a códigos de masculinidade tóxica. Isso tem custos, mas também impacto.
A relação de Bad Bunny com a comunidade LGBTQ+ nunca passou por rótulos. Passou por gestos. Verniz nas unhas, drag, beijos em palco, letras que recusam o machismo como norma. Num género historicamente marcado pela homofobia, isso é disruptivo. E é exatamente por isso que importa.
O Halftime Show do Super Bowl LX amplia essa leitura. A NFL escolheu uma narrativa que incomoda setores conservadores. Esta decisão não é um acidente, mas um sinal.
Há presença LGBTQ+ no SuperBowl de 2026
A presença de artistas LGBTQ+ reforça essa mensagem. A cantora lésbica Brandi Carlile interpretará “America the Beautiful” no pré-jogo, uma escolha politicamente carregada num país polarizado.
Já os Green Day abrem a transmissão com uma cerimónia que celebra os 60 anos do Super Bowl. A banda é liderada por Billie Joe Armstrong, assumidamente bissexual desde os anos 1990. Armstrong tem sido claro ao denunciar a bifobia e a invisibilização associada a relações heterossexuais duradouras. Também tem usado a sua voz para defender pessoas trans, sem ambiguidades.
Vozes conservadores chamam a performance de Bad Bunny “demoníaca”
Como previsível, a reação conservadora foi ruidosa. Organizações alinhadas com o movimento MAGA classificaram o Halftime Show como “demoníaco”. A associação One Million Moms, um grupo de famílias conservador e abertamente LGBTIfóbico, apelou ao boicote e promoveu uma transmissão alternativa “patriótica”.
A Turning Point USA, entidade que defende políticas conservadoras em escolas secundárias, faculdades e universidades e fundada por Charlie Kirk e Bill Montgomery, seguiu o mesmo guião, falando em “propaganda liberal”.
Este pânico moral diz mais sobre quem reage do que sobre quem atua. A visibilidade LGBTQ+ continua a ser tratada como ameaça. A cultura pop, quando inclusiva, torna-se campo de batalha. O Super Bowl, enquanto maior palco mediático dos Estados Unidos, amplifica essa tensão.
Bad Bunny é hoje símbolo de união entre as várias minorias
Bad Bunny não é um artista “perfeito” nem pretende sê-lo. É humano, contraditório, político no sentido mais básico do termo. Usa o corpo e a música para desafiar normas. E fá-lo num espaço onde isso raramente é permitido.
O artista atua no Estádio da Luz, em Lisboa, a 26 de maio de 2026. O que se vê esta noite no Super Bowl não é distante. É parte de uma cultura global que também nos atravessa.
O Halftime Show deste ano não é apenas entretenimento. É uma afirmação. E, para muitas pessoas LGBTQ+, é também um lembrete de que existir em palco e celebrar a união continua a ser um ato político.
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