
Aos 21 anos, Mika Brunold viveu um dos momentos mais importantes da sua carreira. Chamado à última hora para representar a Suíça na Davis Cup, venceu no encontro de estreia. Mas o tenista suíço tornou-se também num dos poucos profissionais do circuito masculino a assumir-se gay.
Em novembro de 2025, Brunold tornou-se assim apenas o segundo jogador profissional ativo no ténis masculino a assumir-se publicamente gay.
À imprensa suíça, admitiu surpresa com o impacto: “Fiquei agradavelmente surpreendido. Em primeiro lugar, por se ter tornado tão viral. E em segundo lugar, que houve tanto feedback positivo.”
Esperava críticas, mas estas foram residuais. “Não creio que houve mais que cinco.”
No texto da sua afirmação, escreveu sobre “o medo de não ser aceite, a pressão para ficar quieto, a sensação de ser diferente.” Com o tempo, afirmou ter-se tornado orgulhoso de ser gay.
E deixou uma ideia clara: “Acredito que num mundo ideal, nem precisaríamos de sair do armário.”
Representação LGBTQ+ que ganha corpo no ténis masculino
Desde dezembro de 2024, quando João Lucas Reis também se assumiu, o brasileiro entrou no top 200 mundial e disputou qualificações do US Open e do Australian Open. “Estou no meu melhor ranking porque estou cem por cento focado no ténis, e não quero que isso mude.”
Brunold considera que o circuito está preparado. “A minha impressão é que o mundo do ténis está pronto para os jogadores gays.” Acrescentou que, no seu caso, a orientação “não é um problema no torneio.”
Ainda assim, sublinha que cada pessoa deve decidir o seu tempo. “Cada qual tem que seguir seu próprio caminho e decidir por si se quer ir a público com isso.”
Entre ranking e responsabilidade simbólica
Mika Brunold atingiu o melhor ranking da carreira em agosto de 2025, como 289.º do mundo. Atualmente ocupa a posição 459 do ranking ATP.
É o nono suíço mais bem classificado. A concorrência interna é forte, e não há garantias de nova convocatória em setembro. Mas a estreia deixou sinais positivos, dentro e fora do court.
Numa entrevista, revelou gostar de pizza havaiana, disse que o cabelo significa tudo para ele e escolheu o emoji “heart hands” (🫶) porque quer “espalhar o amor”.
A leveza contrasta com o peso simbólico que carrega. Num desporto historicamente fechado a jogadores assumidamente gays, cada presença pública conta. No ténis, e em especial no masculino, onde o silêncio foi regra durante décadas, a visibilidade continua a ser um ato político e um ato de coragem.
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