
“A enigmática estrela gay do futebol.” Foi assim que a revista Gay Times descreveu Justin Fashanu na capa de julho de 1991.
Mais de duas décadas após a sua morte, continua difícil traçar um retrato definitivo. A sua vida oscila entre a celebridade, a perseguição mediática e o profundo silêncio institucional.
Em 1990, Fashanu assumiu-se publicamente como gay numa manchete sensacionalista do jornal The Sun. Segundo registos expostos numa nova mostra do museu Queer Britain, muito do que foi publicado era falso ou exagerado.
A narrativa mediática ajudou a moldar a sua imagem pública. Também contribuiu para o isolamento que enfrentou dentro do futebol profissional.
Apesar de racismo persistente, homofobia aberta e lesões graves, Fashanu construiu uma carreira de 20 anos e tornou-se uma figura de culto no Torquay United e no Airdrieonians F.C. após o seu coming out.
Foi também o primeiro futebolista negro britânico a assinar um contrato de um milhão de libras, quando se transferiu para o Nottingham Forest F.C. em 1981.
Justin Fashanu: Entre reconhecimento e atraso institucional
Em 2020, Fashanu foi integrado postumamente no Hall of Fame do National Football Museum. A distinção foi recebida pela sobrinha, Amal Fashanu, em nome da família e da Justin Fashanu Foundation.
Amal sublinhou que o reconhecimento chegou tarde e que o futebol continua hoje em dia a ser um espaço cheio de desafios e obstáculos para atletas LGBTQIA+.
Fashanu mantém uma distinção inquietante: continua a ser o único futebolista masculino profissional no Reino Unido a assumir-se publicamente enquanto estava no ativo. No futebol masculino de elite, estamos novamente em 2026 com zero jogadores assumidos.
19 de fevereiro: Dia Internacional contra a LGBTQIA+fobia no Desporto
No seu aniversário, a 19 de fevereiro, é assinalado como Dia Internacional contra a LGBTQIA+fobia no Desporto. A data foi inicialmente marcada pela iniciativa Football v Homophobia, criada em 2010, com a campanha “Wear It Black & Pink” tornou-se símbolo de visibilidade e resistência.
No Reino Unido, mais de 50 grupos de fãs LGBTQIA+ estão ligados a clubes profissionais através da rede Pride in Football. Entre eles, destacam-se os Proud Canaries, associados ao Norwich City F.C..
A Premier League promove atualmente a iniciativa “With Pride”, evolução da campanha Rainbow Laces. A English Football League mantém o uso anual da “Rainbow Ball” nas divisões profissionais inferiores.
No entanto, os dados mais recentes da Kick It Out indicam aumento recorde de denúncias de homofobia esta época.
Um legado por cumprir
Em 1998, após acusações e pressão mediática intensa, Justin Fashanu suicidou-se aos 37 anos. Tinha enfrentado rejeição familiar e promessas financeiras para não se assumir. Se estivesse vivo, teria hoje 65 anos.
Fashanu é simultaneamente enigmático e emblemático. A sua história expõe as falhas estruturais do futebol masculino face à diversidade. Mas, em pleno 2026, apesar da multiplicação de campanhas de sensibilização, a visibilidade institucional nem sempre acompanha e dá resposta firme contra a homofobia nos estádios.
Recordar Fashanu é também recordar o impacto que o discurso antidiscriminatório no desporto pode ter e em como podemos – e devemos – fazer melhor.
Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal
Linha LGBTI+ da ILGA Portugal
Quintas e sábados, das 20h às 23h
218 873 922
969 239 229
SOS Voz Amiga
(entre as 15h30 e as 00h30)
213 544 545
912 802 669
963 524 660
Linha de Prevenção do Suicídio
1411
Telefone da Amizade
(16h-23h)
228 323 535
jo@telefone-amizade.pt
Escutar – Voz de Apoio – Gaia
(21h-24h)
225 506 070
SOS Estudante
(20h00 à 1h00)
969 554 545
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Vozes Amigas de Esperança
(20h00 às 23h00)
222 080 707
Centro Internet Segura
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