General Cóias Ferreira: “Existem Tabus Em Todo O Mundo” (colégio militar)

A polémica em torno da discriminação homossexual no Colégio Militar instalou-se quando foi publicada uma reportagem em que o subdiretor do Colégio, o tenente-coronel António Grilo, admitia que os alunos homossexuais eram excluídos.

Esta terça-feira de manhã, o diretor da Educação e Doutrina do Exército do Colégio Militar, general Cóias Ferreira [na foto], foi ouvido no Parlamento durante uma hora e meia. “Existem tabus em todo o mundo entre crianças e jovens e muito mais numa situação de internato. E dentro desta base não houve qualquer situação de um aluno que tenha saído do Colégio Militar por ter manifestado a sua orientação sexual“. Foi desta forma que o diretor respondeu às questões sobre os casos de alunos que teriam sido empurrados para fora da instituição por serem homossexuais.

A deputada socialista Isabel Moreira lamentou o facto de o subdiretor da instituição não estar presente e partiu de seguida para o confronto: “Quando o subdiretor do Colégio Militar assume que são tomadas diligências junto dos pais de alunos homossexuais não está a dizer que existe nenhuma norma: está a comprovar a sua adesão à homofobia. A questão não é se alguém é expressamente excluído por ser homossexual. A discriminação caracteriza-se por não ser explícita. Os jovens não vão chegar à direção do Colégio e dizer ‘bom dia. Sou gay’“.

Dando seguimento à discussão, a deputada do BE Sandra Cunha argumentou que “não se trata de perceber, e nem se depreende isso da entrevista, se houve expulsões de alunos explicitamente pela sua orientação sexual” mas sim tentar perceber o que faz o Colégio Militar, “que medidas toma quando sabem que um aluno é homossexual“.

Na sua vez da resposta, Cóias Ferreira sublinhou o facto de nenhum aluno ter sido expulso pela sua orientação sexual e reafirmou que aquilo a que o tenente-coronel António Grilo se referia na referida entrevista era o excesso de afectos que pudessem ser vistos como “assédio ou coação sexual” e não explicitamente com a orientação sexual dos alunos.

Ao ouvir esta justificação Isabel Moreira disse que se trata de um crime público e que queria saber o que se passou. “O senhor major-general acabou de denunciar um crime público, e nós temos que saber que idade é que tinha o aluno. Isto é gravíssimo! Se a situação foi de um aluno que exerceu coação sexual, foi aqui denunciado um crime público“.

Cóias Ferreiras deixou a garantia de que se a inspeção – que decorre entre hoje e quarta-feira – trouxer recomendações ou propostas para melhorar, o Colégio Militar está aberto e disponível para que essas recomendações sejam inscritas nos regulamentos internos.

Os tabus poderão existir em todo o Mundo, mas estes são criados por nós mesmos. Há que saber lidar com isso e deixar o (pre)conceito onde ele pertence: na idade média.

Fontes: Expresso e TSF.

Actualização:

Poderão ver dois vídeos da interpelação da deputada Isabel Moreira e a sua reacção perante a “revelação” de que o caso concreto de exclusão dado na entrevista pelo subdiretor do Colégio Militar “foi um caso de coacção sexual“:

 

Vistos na página da deputada.

Actualização 04/05/2016:

A jornalista Fernanda Câncio nota, e bem, que o Parlamento requereu audição com a direção do Colégio Militar e que o Exército enviou outra pessoa (o General Cóias Ferreira, embora o título de “Director da Educação e Doutrina do Exército do Colégio Militar”, não acumula o cargo de director do colégio).

Isabel Moreira também já reagiu:

Esta é a ofensa. Como afirmei “O Parlamento não consegue ser respeitado, não consegue ouvir a direcção do Colégio Militar, cuja presença foi requerida. É uma ofensa à casa da democracia”.

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