Cinema: Estudo Mostra Que Representação LGBT Está A Diminuir

A Associação norte-americana GLAAD apresentou um estudo, inserido no Studio Responsibility Index, em que mostra como a representação de pessoas LGBT nos principais estúdios tem diminuído. Tal como já no ano passado tinha denunciado a pouca visibilidade destas pessoas na televisão, o estudo deste ano não apresenta igualmente os melhores resultados.

O estudo mede a “quantidade, qualidade e diversidade de pessoas LGBT em filmes lançados pelos sete maiores estúdios cinematográficos e respectivas filiais” no último ano. Dos 126 filmes lançados pelos grandes estúdios, apenas 22 (17,5%) teve personagens identificadas como LGBT. O número é exactamente o mesmo em 2014.

Mais de três quartos desses filmes inclusivos contou com personagens homossexuais masculinas, mulheres lésbicas tiveram 23% de representação e personagens bissexuais apareceram em 9%. Houve apenas um filme com personagem trans.

Embora a diversidade LGBT permaneça igual entre 2014 e 2015, a diversidade racial dentro desse grupo diminuiu. Cerca de 32,1% das personagens LGBT eram pessoas não caucasianas em 2014, enquanto que em 2015 foram apenas 25,5%.

A associação notou que nenhum estúdio obteve uma classificação positiva no estudo que igualmente constatou que a representação LGBT no cinema em 2015 mostrou um aumento de “representações ofensivas das pessoas LGBT, baseando-se no pânico das pessoas LGBT e nos estereótipos difamatórios para alcançar o riso barato.

Os filmes de Hollywood estão muito aquém de qualquer outra forma de média quando se trata de retratar personagens LGBT. Muitas vezes, as poucas personagens LGBT que surgem no grande ecrã são alvo de uma piada ou personagens baseadas em clichés. A indústria cinematográfica deve abraçar histórias novas e inclusivas, se quiser manter-se competitiva e relevante” – Sarah Kate Ellis, Presidente e CEO da GLAAD.

Apenas um filme no ano passado foi nomeado para um GLAAD Media Award: Freeheld, o romance com Ellen Page e Julianne Moore que já tratámos aqui. De notar que outros filmes ficaram fora da lista dado que – embora tratem a temática LGBT, como Carol ou A Rapariga Dinamarquesa – os seus actores são heterossexuais e cisgénero.

O estudo também mediu como os filmes responderam ao Teste de Vito Russo – uma medição que a GLAAD introduziu em 2012, em homenagem historiador de cinema e co-fundador da instituição.

Parcialmente inspirada pelo Teste de Bechdel, são estes os critérios do Teste de Vito Russo:

  • Que um personagem é identificada como lésbica, gay, bissexual ou transgénero;
  • Não deve ser definida pela sua orientação sexual ou identidade de género;
  • A sua ligação à história deve ser tal que a sua remoção teria um efeito significativo sobre a mesma;

 

Apenas oito filmes em 2015 se encaixam neste critério, um número que é constatado como “a menor percentagem na história deste estudo“.

Fontes: Mashable e GLAAD.

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