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O Que Representa Uma Bandeira?

Orgulho Portugal bandeira arco-íris rainbow pride

A Constituição consagra a bandeira nacional como símbolo da soberania da república, da independência, unidade e integridade de Portugal. Mas daí não se retira qualquer limite à liberdade de, por exemplo, queimar uma bandeira que não pertença ao Estado. Então porquê tanta lamentação por uma bandeira que une dois símbolos?

Queimar a bandeira portuguesa – ou outro acto de caráter cívico, político ou artístico – está salvaguardado por liberdades fundamentais consagradas na Constituição. É pois neste contexto, que podemos considerar unanimemente extremo, que surge a bandeira acima ao conjugar dois símbolos: Portugal, através da esfera armilar da sua bandeira, e o arco-íris, símbolo universal do movimento LGBTI. Imagino, portanto, que a pessoa que criou essa nova bandeira seja alguém que se identifica, orgulhosa e simultaneamente, LGBTI e portuguesa. É isto uma ofensa a Portugal? É isto uma ofensa à população LGBTI estrangeira?

As respostas às duas questões anteriores só se confirmam se quisermos ser mesmo tacanhas. Repare-se, não se trata de usurpar um símbolo nacional, a bandeira portuguesa não foi substituída por esta, apenas pegaram num detalhe e juntaram-no a outro, a união de dois orgulhos distintos.

Esta tipo de colagem de dois símbolos está aliás longe de ser único. Gus Kenworthy, atleta medalhado olímpico norte-americano, e o seu namorado, Matthew Wilkas, apoiaram Adam Rippon nos últimos Jogos Olímpicos de Inverno com uma bandeira que unia o mesmo padrão arco-íris com o detalhe das estrelas sobre azul da bandeira dos Estados Unidos. Ninguém lhe questionará o Orgulho em ser quem é, gay e norte-americano. Da mesma forma, pergunto, por que há-de alguém questionar as intenções de quem criou a bandeira usada na Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa?

Passando pelas reações que o Gonçalo Sousa recebeu quando partilhou uma imagem semelhante, facilmente se percebe que são chamadas de atenção feita maioritariamente por jovens que quase sempre roçam a homofobia. Aliás, implicitamente é esse o ódio que está presente em todas elas.

Em pleno Mundial de Futebol, vemos diariamente um símbolo nacional estendido pelas janelas das casas e dos carros, estampado em cachecóis, t-shirts e cuecas, nas caricas da cerveja e até televisores. Ora, associar tudo isto a um movimento identitário que luta pela liberdade e pela igualdade de toda a população é, para algumas pessoas, um verdadeiro escândalo.

Se lhes incomoda tanto esta partilha, por que não denunciar o uso (e abuso) de símbolos nacionais, mais ou menos transfigurados, nas últimas semanas perante a plateia gigantesca do Mundial de Futebol? Por que, para estas pessoas, uns desrespeitam o país e outros não? Se tivesse que apostar diria ser um problema que têm com tudo o que simboliza o arco-íris. Por outras palavras e para deixar bem claro, é gente homofóbica!

Na realidade, esta exigência por respeito aos símbolos nacionais não passa de uma tentativa de esconderem o seu nojo e a sua vergonha. Ela é uma nova versão do já clássico “dêem-se ao respeito!” No entanto, para algumas pessoas é cada vez mais difícil expressarem as suas posições preconceituosas sem serem confrontadas – e ainda bem! Entende-se por que desta vez pegaram num alegado orgulho e num alegado respeito por um símbolo nacional. Como se esse orgulho fosse exclusivo seu. Como se esse orgulho jamais pudesse, em tais diminutas cabeças, ser partilhado com uma pessoa LGBTI.

Esta é uma associação que, insistem chocados e chocadas, jamais irão admitir e torna-se claro porquê. A proximidade assusta quem pretende afastar, quem pretende silenciar e tornar invisível. Afinal de contas, quem nos deu autorização para sentir orgulho em sermos portugueses e portuguesas? O respeitinho é muito bonito e o orgulho nacional é coisa das decentes massas, não do indecoroso bichedo! Metamo-nos no nosso lugar!

Fonte: Imagem.

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2 Comments »

  1. Olá e aqui vem um comentário de um homossexual que não acha piada nenhuma a esta “mutação” da bandeira, além de que, pela lei, esta alteração à bandeira nacional, é crime, tal como queimá-la, já que é dado o exemplo!
    Sinceramente, muitas vezes digo que me afasto do rótulo do GLBT e quantas mais siglas adicionem, porque enquanto se fala de homofobia por parte dos heterossexuais, eu devo dizer que a heterofobia que se vê nas redes sociais, roça mesmo o auge do nojo. Como homossexual, nunca me senti protegido pela comunidade, antes pelo contrário: a própria comunidade é a primeira a dar um pontapé no cu daqueles que ousam pensar diferente de si mesma, daqueles que ousam transpor aquilo que a comunidade pensa que pode oferecer.
    É um pouco como a União Europeia: muito Unidos, muito Unidos, mas chega-te para lá se não és como eu, se não pensas ou não ages como eu.

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